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sábado, 23 de abril de 2011

A Cidade dos Mortos

No fim-de-semana passado assisti ao filme "A Cidade dos Mortos", de Sérgio Tréfaut. Não sabia muito bem a que ia assistir, apenas sabia que se tratava de um documentário filmado num cemitério do Cairo. Mas que grande cemitério, condigno com a qualidade do documentário. O cemitério do Cairo é a maior necrópole do mundo. Um milhão de pessoas vivem dentro dele, seja em casas tumulares ou nos edifícios que cresceram em redor. Dentro deste cemitério há de tudo: padarias, cafés, escolas para as crianças, mercados, teatros de fantoches... estendendo-se por mais de dez quilómetros ao longo de uma auto-estrada. Contudo não deixa de nos fazer sentir como numa aldeia, com mães à caça de um bom partido para as filhas, rapazes a correr atrás das raparigas, disputas entre vizinhos, sonhos.
Decidi transcrever para aqui um pequeno texto do realizador acerca deste filme e das condicionantes que o rodeiam. Uma leitura interessante.

5 Obstáculos, 5 Estímulos
Notas sobre a rodagem – Sérgio Tréfaut

Fazer um filme é como travar uma guerra. «A cidade dos Mortos» foi o filme mais difícil que produzi e realizei até hoje. Os desafios e obstáculos diários foram tantos, sobre tantas frentes de batalha, que eu poderia passar dias a contar aventuras surreais… Mas, em jeito de introdução, de uma forma esquemática, aqui ficam as principais frentes de uma longa guerra…

1º OBSTÁCULO: A DISTÂNCIA
Depois de ter concluído alguns documentários sobre universos que me eram próximos (Outro País, Fleurette, Lisboetas), decidi que era o momento certo para tentar o que muitos outros tinham feito ao longo da vida: descobrir e filmar realidades distantes. Mas não parti procurando me enganar a mim próprio. Fui aos cemitérios do Cairo para falar daquilo que me interessa: da relação dos homens com a vida e com a morte, de pessoas de quem gosto e que admiro (e que podem viver em qualquer latitude), da alegria e do entusiasmo que podem ter pela vida, em condições adversas.

2º OBSTÁCULO: A LÍNGUA E OS REFERENTES
Em 2004, quando arranquei este projecto, não falava uma palavra de árabe e nunca tinha vivido em países de cultura muçulmana. Acredito que o modo de pensar de um grupo, seja ele qual for, é indissociável da gramática, da estrutura da língua, da musicalidade, do léxico e hábitos de comunicação. Fui oito vezes ao Cairo, vivi vários meses seguidos na cidade, tive aulas de árabe, dei aulas de documentário, transitei entre várias classes sociais, rodeei-me de egípcios. O lugar onde passei mais tempo foi, naturalmente, no cemitério. Hoje creio ter esquecido o pouco que tinha aprendido da língua, que à época me permitia seguir partes de uma conversa e dar indicações para a rodagem. Em contrapartida, ainda sinto orgulho por conhecer a vida quotidiana nos cemitérios melhor do que a maioria dos egípcios - que só vão lá para funerais e celebrações. Além da língua, o obstáculo cultural é enorme. Uma pessoa não tem como chegar a um sítio destes e «querer filmar». É todo um longuíssimo e complicado processo.

3º OBSTÁCULO: AUTORIZAÇÕES E CUMPLICIDADES
A primeira pergunta que nos fazem quando falamos em filmar no Cairo é «Do you have a permit?». No Egipto, o sistema burocrático e as autorizações para qualquer coisa são um inferno. Ingenuamente, pensei que as minhas «boas intenções», ou o meu respeito pelas pessoas, longe do sensacionalismo, poderiam facilitar. Afinal eu não trabalhava para uma televisão que vende miséria social. Puro engano. No início, passei semanas ridículas, arrastando-me de repartição em repartição para receber sempre informações contraditórias e inconclusivas. O Embaixador de Portugal, muito simpático e diligente, chegou a escrever cartas a pelo menos três ministros egípcios para apresentar o meu projecto e solicitar autorizações. O Embaixador nunca recebeu qualquer resposta. Esse silêncio, muito egípcio, foi bastante melhor do que uma recusa. Mais tarde, também tive aconselhamento diplomático francês e espanhol. Cheguei a fazer uma pré-selecção de potenciais coprodutores locais, todos eles entusiasmados com a hipótese de entrarem neste projecto e serem o parceiro que legalizaria tudo no Egipto. Nada deu certo. Finalmente abri os olhos e percebi que nunca poderia obter uma autorização para este filme. As autoridades queriam documentários sobre pirâmides e faraós, não sobre cemitérios habitados a respeito dos quais pesam os maiores preconceitos. Além disso, qualquer produtor local que se viesse a envolver corria o risco, durante o reino de Mubarack, de ver a sua produtora fechada. Após várias tentativas frustradas, voltei ao Cairo, pela quarta vez, acompanhado de um amigo câmara italiano, tão louco quanto eu, e decidi que tinha de conseguir filmar. Em poucos dias fomos adoptados por uma família de coveiros e penetrámos finalmente no universo do cemitério. Nessa viagem filmámos, por exemplo, a travessia da caravana de fantoches no Cemitério Sul. Eu já via aquela caravana de fantoches desde a minha primeira viagem e, pelo menos isso, eu não podia perder! Claro que na primeira noite em que filmávamos uma festa (um mulid), fomos interpelados e proibidos de filmar pela polícia. Mas no dia seguinte recomeçámos. Esse era o ritmo da nossa filmagem. Uma permanente guerra. E passo por cima de milhares de episódios para poder transmitir apenas a ideia de conjunto. Quando uma pessoa vai à guerra tem necessariamente de encontrar aliados. Nesse campo, o meu assistente de realização, Mohamed Siam, foi exemplar no incansável trabalho de estabelecer uma rede de contactos, visitando diariamente pessoas que viviam a 10 quilómetros umas das outras. Dentro desta rede, havia pessoas que, elas próprias, eram a porta para toda uma comunidade: coveiros, guardiões de cemitérios, sheiks, donos de cafés, guardas do mercado, etc. Mesmo assim, todos os dias sentíamos que a guerra recomeçava. A conquista das personagens era permanente. Às vezes, aqueles em casa de quem almoçávamos num dia, no dia seguinte já tinham receio de ser filmados. As reportagens feitas por televisões sensacionalistas criaram enormes dificuldades ao acesso a lugares como este.

4º OBSTÁCULO: CONCEITO E DRAMATURGIA
A realidade visual do lugar, aos olhos de um ocidental, não lembra em nada um cemitério. Ao chegar ao Cairo, a fotógrafa Inês Gonçalves disse-me imediatamente: ninguém vai perceber que isto é um cemitério! E não nos passava pela cabeça estar a filmar enterros às escondidas. Tinha demasiado respeito pelas famílias para ligar uma câmara no meio de um funeral. Todas aquelas casas tumulares e mausoléus em ruas de terra batida, pareciam de facto uma aldeia deserta de filme mexicano ou de far-west. Para não falar dos mercados apinhados de gente e zona de lojas…. Das ruas cheias de barbeiros… Assim, percebi que com um filme estritamente observacional sobre o lugar (essa era a minha primeira intenção) nunca chegaria a bom porto e também não conseguiria transmitir aquela diversidade. Passei à segunda hipótese: um filme que seguiria os preparativos de um casal de noivos para o casamento, que decorreria dentro do cemitério e alteraria a vida de dois jovens. Mas, após ano e meio de espera de uma boda interminavelmente adiada, os jovens não chegaram a casar em tempo. Pelo meio do caminho, fui filmando alguns casamentos, para tentar preparar-me e perceber como era… Passei à terceira hipótese: um filme em que alguns habitantes do cemitério, por quem eu tinha maior fascínio, falavam-me do lugar. Por último, hipótese final, percebi que a tudo isto faltava a voz mágica de um coveiro, que falasse com a propriedade de quem sempre viveu ali e que amava aquele lugar mais do que todos os outros.

5º OBSTÁCULO: AS QUESTÕES TÉCNICAS
As câmaras com que filmei estavam quase sempre estragadas, desfocavam a imagem, ou mais tarde eram usadas por uma directora de fotografia habituada a rodar em película, que considerava a câmara de vídeo quase como um brinquedo e, para meu desespero, não colocava o olho no visor… Assim, uma parte muito importante dos rushes deste filme têm problemas de definição. Esse problema veio ainda a agravar-se quando se perderam inesperadamente uma parte dos originais do filme, e apenas ficou o material digitalizado em final cut. Parecia um filme amaldiçoado. Por vezes pensei em desistir, como tantos realizadores que tentaram filmar esses cemitérios. Mas já tinha ido longe demais. E os contratos de produção, o tempo e a energia investidos, obrigavam-me a finalizar um trabalho. Se hoje levo o filme às salas de cinema é sobretudo pelo interesse antropológico, humano e filosófico. Foi esse mesmo interesse, acredito, que permitiu ao filme ser exibido em vários festivais internacionais e televisões.


O documentário é precedido da curta portuguesa “Waiting for Paradise” também no mesmo cenário e realizada por Tréfaut.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Ciclo de Cinema Africano Francófono

A propósito da celebração da Francofonia, a Reitoria da Universidade do Porto, o Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (CEAUP) e o novo Institut Français de Portugal, decidiram associar-se e conceber o Ciclo de Cinema Africano Francófono e assim mostrar ao público portuense um cinema jovem, repleto de riquezas e de futuro.

Extraído do fundo da "Cinemateca África" do Institut Français são apresentados ao público exemplos do património cinematográfico africano pouco conhecido e muitas vezes ignorado. A selecção dos filmes foi feita a partir de obras de cineastas reconhecidos ou premiados pela critica internacional. Este Ciclo que desejamos ser o primeiro de muitos, é também uma homenagem à diversidade cultural e um momento para despertar a curiosidade pelos seus criadores.

O público poderá desta forma descobrir documentários e ficções da Tunísia, do Senegal, da Argélia, de Marrocos, da Mauritânia e do Mali. Em língua original dos seus países na sua maioria, os filmes serão legendados em francês ou em português. As sessões serão acompanhadas de encontros com investigadores do CEAUP que apresentarão os filmes e os países de origem. Será também um momento para conversar com o realizador congolês Rufin Mbou Mikima que apresentará uma visão do Cinema Africano Francófono.

Com a apresentação deste Ciclo consolida-se mais uma parceria institucional que certamente muito contribuirá para a afirmação da importância do intercâmbio cultural e para o cruzamento de novos públicos no Edifício Histórico da Reitoria da Universidade do Porto.

Local: Auditório Gomes Teixeira (Reitoria da U.Porto)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

As Tardes Italianas

Recebi há pouco a informação deste ciclo de cinema que parece ser bastante interessante. Para os amantes do cinema italiano e do cinema em geral deixo aqui uma cópia da divulgação.

"Nascido de uma troca de ideias entre a Reitoria da Universidade do Porto, o Consulado Honorário de Itália no Porto (já parceiros institucionais na apresentação da exposição sobre a Capela degli Scrovegni de Giotto), o Instituto Italiano de Cultura de Lisboa e a Associação Socio-Culturale Italiana del Portogallo, o ciclo de projecções de filmes italianos que apresentamos nos meses de Abril e Maio de 2010, destina-se a oferecer um panorama de trabalhos recentes de realizadores italianos, já afirmados ou estreantes que até à presente data nunca estiveram integrados em programações culturais da cidade do Porto.

O ciclo com o título "As Tardes Italianas" representa mais uma oportunidade para reforçar a colaboração, já profícua, entre as entidades acima referidas contribuindo assim para afirmar um intercâmbio de actividades culturais mais intenso entre as instituições: com efeito, na sessão de abertura, vai ser assinado um Protocolo de colaboração para que os públicos da Comunidade Académica da Universidade do Porto e da Comunidade Italiana se possam cruzar nas iniciativas promovidas em conjunto."

Programa:

20 de Abril -17h30
"La Rabbia di Pasolini"
Giuseppe Bertolucci
Pier Paolo Pasolini

27 de Abril - 18h30
"Apnea"
Roberto Dordit

29 de Abril - 18h30
"La seconda notte di Nozze"
Pupi Avati

4 de Maio - 18h30
"La Febbre"
Alessandro D´Alatri

11 de Maio - 18h30
"I demoni di San Pietroburgo"
Giuliano Montaldo

13 de Maio - 18h30
"Il maestro Degli Errori"
Pietro Maria Benfatti

18 de Maio
"Il vento fa il suo giro"
Giorgio Diritti

20 de Maio
"L´Abbuffata"
Mimmo Calopresti

25 de Maio
"La Masseria Delle Allodole"
Paolo e Vittorio Taviani

27 de Maio
"Centochiodi"
Ermanno Olmi

Local - Auditório Gomes Teixeira (Reitoria da Universidade do Porto)
Entrada livre
Informações: rrodrigues@reit.up.pt

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Estado de Guerra

Fui ver ontem este "Estado de Guerra", com a expectativa inerente a ver um filme vencedor dos "óscares". Tinha ido ver o "Avatar" e não estranhava que fosse esse o grande vencedor ainda que não tenha ficado fascinado pelo que admitia que pudesse ser suplantado por outra proposta. Ainda tinha ido ver outros que também por lá andavam como o "A estrada", "O sítio das coisas estranhas" e o "Um Homem Singular" mas nenhum me soava a grande vencedor. Infelizmente este também não. Não quero dizer que não tenha gostado do filme. Gostei. Gostei do facto de não ser uma ode ao "americanismo" ou ao "soldado americano" (vulgo hino ao coitadinho do desgraçadinho... pobrezinho). Gostei do modo como estava construído, da fotografia, da trilha sonora, e tudo e tudo e tudo. É dinheiro bem gasto... mas sinto falta dos verdadeiros filmes candidatos aos "óscares". Sinto falta das grandes produções. Ou do grande talento. Enfim, sinto falta da sétima ARTE.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Fantasporto

Mais um ano, mais um Fantas. Aqui está o sempre aguardado festival de cinema fantástico. Bem sei que há muito que é o Festival Internacional de Cinema do Porto, mas gosto de o recordar como de Cinema fantástico. E fantásticas eram as sessões no velho Carlos Alberto com colunas de uns dois metros para que o som chegasse ao fundo da sala. Gritos e risos nervosos misturados com gargalhadas soltas. Sangue a rodos versão ketchup. Agora a coisa é outra. O público é outro. Mas sabe sempre bem ir ao Fantas, quanto mais não seja ansiando por sentir um gostinho que me ficou na memória e insiste em permanecer. O cartaz diz 27 de Fevereiro a 6 de Março mas há programação entre o dia 22 e o dia 7. Consultem o site do festival para acompanharem a programação. Eu vou tentar não faltar.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Single Man - Um Homem Singular

Fui ver ontem este filme a convite de duas amigas com quem não estava já há algum tempo. Não sabia sequer o que ia ver. No entanto, apesar do ataque às minhas capacidades olfactivas através do cheiro a perfume que vinha da fila de trás pelo lado esquerdo e do cheiro a mcdonalds pelo lado direito e à minha audição com a respiração forte e os comentários ao filme vindos das mesmas bandas, gostei do filme. Não sei se a tradução de "single" para "singular" foi a mais apropriada e cheira-me aqui a uma opção discreta para a verdadeira temática do filme. Durante 101 minutos seguimos a história de um homem, um professor inglês a dar aulas nos EUA que recebe a notícia da morte do seu companheiro de 16 anos. Ora se a questão ainda é sensível nos nossos dias imaginem nos anos 60 de uma América que vive com medo da própria sombra (em plena crise dos mísseis de Cuba). O filme desenvolve-se com alguns flashbacks da relação de George (Colin Firth) e Jim (Matthew Goode) e com o desenrolar de um dia que podia ser apenas mais um igual a tantos outros mas que era aquele em que George tinha decidido terminar com a vida. A intrometer-se nos planos temos Charley (Julianne Moore), a amiga e confidente que em tempos podia ter sido algo mais, e o jovem aluno de George, Kenny (Nicholas Hoult). Gostei bastante da interpretação de Colin Firth e de Julianne Moore, actores seguros e de méritos reconhecidos. Gostei também do jovem Nicholas Hoult que deixou-me com a sensação de o conhecer de qualquer outro filme e que ao chegar a casa confirmei ser do "About a Boy" com o Hugh Grant. Digamos que já não é nenhum "boy". Uma promessa para o futuro por certo. Não conto mais do filme para não perder piada, mas recomendo vivamente.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

E o Nun'Álvares volta à vida

Ainda há pouco tempo tinha estado aqui a escrever sobre a saída da Medeia Filmes do cinema Nun'Álvares quando descobri que este tinha voltado há vida pelas mãos da Malayka Filmes e Elias Macovela, o empresário por trás disso tudo, ligado também à Pantheon Entertainments. Espero realmente que o projecto tenha sucesso e que o Nun'Álvares possa ter muitos mais anos de vida. A sala mantêm-se igual, mas o sistema de som e de projecção está completamente renovado pelo que pude perceber. Aliás, a sala tem 3D. O filme de estreia é nada mais nada menos que o AVATAR de James Cameron e sinceramente, fiquei bastante satisfeito coma qualidade da projecção, do som, dos óculos, de tudo. E o melhor foi ter a sala só para mim. Sei que isso não é bom para o negócio e espero ver cada vez mais gente nas sessões, mas confesso que ver o AVATAR, no Porto, em 3D, com a sala só para mim era coisa que não me passava pela cabeça. Para além de filmes mais "comerciais", o novo Nun'Álvares promete uma programação igualmente preenchida por cinema alternativo, seja independente, europeu ou afins. Aguardo com expectativa a programação que se segue.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Sítio das Coisas Selvagens

Que belo começo de ano aqui para o aRT alonG the aGes. Hoje, depois de um exame de Gestão do Património, e um breve salto à Casa Oficina António Carneiro, apeteceu-me enfiar-me numa sala de cinema. Não podia ter feito melhor. A escolha entre as estreias do dia recaiu neste "O Sítio das Coisas Selvagens". Simplesmente fabuloso. Para começar, a banda sonora por Karen O and the Kids acompanha-nos do inicio ao fim do filme e é genial. Fez-me pensar no tempo em que eu vibrava com as "original sound tracks" dos filmes que via. Deixei-me disso nos últimos tempos, mas esta fez-me querer comprar o CD. Depois temos Max Records no papel de "Max", o protagonista do filme e único actor de carne e osso no ecran durante a maior parte do tempo. Uma interpretação segura, sem nada a apontar. Os "seres" que ele encontra numa ilha, o sítio das coisas estranhas, são realmente interessantes e após os primeiros minutos que necessitamos para nos habituar-mos a eles, um misto de muppets e animatronics, surgem-nos como seres reais, que respiram, que sentem, que amam e sofrem. Fazem-me querer que nunca se perca esta forma linda de fazer animação. O digital é fabuloso mas aqui sinto magia a acontecer. A relação destes "seres" com Max, não me parece ser mais do que um "loop" dos primeiros 10 minutos do filme e do que ele experimentou na "vida real". Mas isso só descomplica o filme e permite-nos baixar as defesas e viver a estória. Permite-nos criar uma relação de empatia com a complexidade de sentimentos e estados emocionais que precipitam-se para um "angst" crescente e a inevitável ruptura de forma a fazer-nos avançar e levar Max de volta a casa. O momento da partida de Max da ilha é sem dúvida emocionalmente gritante, em toda a acepção da palavra, e não resisti a permiti-me partilhar a dor daqueles uivos, num lamento profundo de Carol, uma das personagens fantásticas, que não é mais do que o espelho de Max naquele mundo. Emocionei-me e não tenho vergonha de o dizer. Resumindo, o filme é delicioso ainda que agridoce. No fundo é aquele "bitter-sweet" que eu gosto. Bem realizado, excelente fotografia, boa música, tudo bom. A não perder.



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Paulo Branco présente

Paulo Branco présente... com estas três palavras começa este "post", assim como o trailer do filme "Cinzas e Sangue" que marca a estreia de Fanny Ardant como realizadora. Ainda não vi o filme, mas estou cheio de curiosidade. Estará nos cinemas a 7 de Janeiro de 2010 e espero conseguir vê-lo sem dificuldade, já que tem sido difícil ver cinema de qualidade no Porto. A ante-estreia do filme realizou-se em Lisboa, aquando da celebração dos 20 anos da Medeia Filmes, em virtude de Paulo Branco ter "arriscado" a sua produção. Com passagem pelo festival de Cannes, este filme parece ser bem interessante. Mas não é sobre o filme que quero escrever. É sobre Paulo Branco e sobre a Medeia, portugueses a trabalhar numa área frágil mas com um rumo. Sabem o que querem e perseguem-no Não queria acabar 2009 sem uma nota positiva, pelo que esta produção portuguesa apresenta-se como uma excelente oportunidade para a fazer. Parabéns ao Paulo Branco pela força e a coragem de apostar em cinema, em "films" em vez de "movies". Parabéns à Medeia pelo excelente trabalho na divulgação do bom cinema por terras lusas. Numa nota paralela, fica o pedido para uma dinamização mais forte por terras nortenhas. Os cinemas Cidade do Porto apresentam uma dificuldade que é a de lutar com o conceito mercantilista de um centro comercial, é certo, mas há tantos cinemas abandonados no Porto que podiam ser aproveitados pela Medeia para coisas bem mais bonitas do que o destino incerto que os espera. A sala no Teatro Campo Alegre não é atractiva (eu próprio só fui lá uma vez, ao contrario do que acontecia com o Nun'Alvares onde acompanhava regularmente a programação) pelo que deviam considerar fortemente uma alternativa. Actualmente fala-se de uma possível saída da Associação de Comerciantes do Cinema Batalha. Porque não fazem uma proposta à CMP para ocupação e dinamização daquele espaço? É central, tem enormes potencialidades (bar e restaurante), duas salas para projecção, etc. Ideias minhas...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Cinema Fora do Sítio

Pois é... aparentemente já está aí uma nova edição do Cinema Fora do Sítio. E como sempre, o filme em cartaz que mais queria ver, já passou. O ciclo deste ano, na 10ª edição, começou no dia (noite) 3 de Julho. Ainda não vi "muppies" na cidade e a Porto Lazer fez o favor de enviar a divulgação por email (que mais uma vez chega sem abrir seja que imagem for) hoje. Lá diz o ditado, antes tarde do que nunca. Sugestão à organização: para o ano comecem com os filmes mais antigos e deixem os mais recentes para o fim. Ainda assim, temos muita coisa boa para ver. David Lynch está em força com "Mulholland Drive" e com "Uma História Simples", nos dias 18 e 24 de Julho. Os dois são excelentes. É uma boa oportunidade para ver dois estilos bem diferentes de Lynch. Para quem ainda não viu o grande vencedor dos Óscars deste ano, tem agora a possibilidade de assistir a "Quem quer ser Bilionário", a encerrar este ciclo em 1 de Agosto. A restante escolha também não está má pelo que vale sempre a pena a deslocação. E pelo menos é uma noite diferente, de cinema sem pipocas (ou talvez não, acho que me lembro de ver um pipoqueiro no ano passado). Aproveitem. Saiam de casa, levem os putos, a mãe e a avó, convidem a vizinha do lado, a colega do trabalho, o senhor do café. Apanhem ar fresco. Esqueçam a Gripe A. Mas levem um casaquinho por sim e por não.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Portocine

Está aí o Portocine, Festival Internacional de Cinema Independente do Porto. Quero ver se consigo passar lá no último dia, visto ser-me impossível marcar presença nos dias anteriores. A selecção de filmes parece bastante interessante e os preços convidativos. Segundo a organização estarão presentes nomes como Tippi Hedren, a protagonista de "Os pássaros" de Alfred Hitchcock, Angel de La Cruz, realizador, e os portugueses Joaquim de Almeida, Nicolau Breyner, Sofia Aparício, São José Correia, entre outros. A exibição em ante-estreia nacional do filme "Fireflies in the garden" no último dia despertou-me algum interesse. Espero mesmo conseguir passar lá. Será o nascer de mais um festival de referência a norte? Quem diz que a cultura no Porto está morta engana-se. Faltava era espírito de iniciativa. Agora parece que se meteu mãos à obra e ou muito me engano ou o Porto dentro de um a dois anos pode ser realmente um centro de referência cultural. Os meus aplausos a estas iniciativas que ainda sabem a pouco. Que venha a cultura para se esquecer a crise.

Deixo aqui o link para o programa completo: PROGRAMA