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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Porto - Bodies Revealed

Visitei recentemente a exposição "Bodies Revealed - O Corpo Humano como nunca o viu" no edifício da Alfandega do Porto e como já suspeitava, duas coisas são dignas de referência. A primeira é o preço pouco atractivo. Infelizmente já estava preparado para isso, pois em Portugal nem a cultura nem a educação são baratas. Mas preços entre os 11.5€ e os 13.5€ (bilhete normal) parecem-me nitidamente desfasados da realidade nacional, em especial se atentarmos à própria exposição. Já agora, apenas para comparação indico que o custo de entrada no Museu Nacional de Arte Antiga ou no Museu de Serralves é de 5€. Para visitar o Museo Nacional del Prado paga 7€ e para visitar o Musée du Louvre são 9.5€.
E isto leva-nos à segunda coisa a apontar, e talvez a mais importante, a própria exposição. Não me fascinou. É certo que o método de tratamento dos corpos e órgãos apresentados é sofisticado e não deve ser barato, mas o resultado final não é muito diferente do que resultaria no uso de outros materiais para a recriação dos mesmos. Aliás, o ar plástico (ou plastificado) que dali resulta isso parece comprovar. Ainda me dei ao trabalho de pesquisar a web e descobri que a exposição também está patente ao público em Sacramento, nos Estados Unidos. Já nem me dei ao trabalho de pesquisar mais a ver se ainda está patente noutros lados. O que deu para perceber é que existem várias peças e podem ser apresentadas em diversos locais. Muito bem. Mas as imagens que se vêem no site da exposição (a tal que indica estar patente em Sacramento) revela uma disposição bem mais interessante das que estão no Porto. Pelas imagens apercebemos-nos de uma encenação bem criada à volta dos espécimes expostos, simulando movimentos e acções. Os daqui parecem monos. Apenas um espécime no final da exposição aparece sentado junto de uma mesa simulando a leitura de uma revista. Todos os outros estão simplesmente colocados ali, sem muitos cuidados estéticos. E isso interessa a quem visita e paga para ver uma exposição. Não sei se ali há curadoria ou não, até porque não é uma exposição de arte, mas então não faz sentido quererem apresentar este projecto como um misto disso. Há referências a imagens projectadas nas paredes e chão, de cunho artístico. Devo referir que algumas nem se conseguem perceber com o sistema de iluminação a "apagar" essas mesmas projecções. Em pelo menos uma das vitrinas há a referência a elementos que não estão expostos. Perderam-se na montagem? Enfim...
Ora bem, com isto não quero dizer que não vale a penar visitar a exposição. Do ponto de vista educativo está bem montada e será sempre produtivo a visita. E quem produz a exposição até foi simpático e reduziu o custo de entrada para uns singelos 7.5€ por aluno nas visitas escolares. Tudo bem, será visitar esta exposição ou fazer a viagem anual a qualquer lado. São 300€ para 40 alunos, mais ou menos o que custa alugar um autocarro para visitar a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto ou o Parque Natural de Peneda Gerês. Mas pronto. Se quiserem mesmo muito, vale a pena.

PS: Quem conhecer espaços no Porto (ou arredores) com este tipo de elementos pode indicar. Por exemplo lembro-me que o Museu do Instituto de Medicina Legal aqui no Porto tem alguns espécimes bem interessantes. De certeza que as escolas de Medicina também os devem ter.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Viana do Castelo - Antigos Paços do Concelho

Construído entre finais do séc. XV e inicio do séc. XVI, este edifício surge após o antigo lugar de reunião ter sido ocupado pela Igreja de Santa Maria Maior. É um edifício de granito com dois pisos e coroado por ameias. A vereação reunia no piso superior ficando reservado o térreo para abrigo dos escribas que ali redigiam requerimentos e outros documentos destinados à Câmara. A reconstrução realizada manteve-lhe dois arcos góticos e rasgou entre estes um outro de vão mais estreito, local onde, em meados do séc. XVI fora implantada uma porta de aros almofadados. A planta baixa está assim formada por um alpendre com três arcos ogivais e a planta superior tem três janelas com varanda de ferro. Sobre a janela central estão esculpidos o escudo real, uma esfera armilar e um veleiro, símbolo de Viana do Castelo. Encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 1910.
Neste momento o edifício é utilizado como espaço expositivo, encontrando-se patente ao público duas exposições. No piso térreo e até 31 de Julho temos uma exposição organizada pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo intitulada "Máquinas e ferramentas do Passado". No piso superior está disponível para visita, até ao próximo dia 1 de Agosto, uma exposição de pintura da artista plástica Armanda Passos.
Apresento-vos aqui algumas imagens das exposições.











Fotografia © Nuno Ferreira
É permitida a reprodução apenas para uso pessoal e educacional. O uso com fins comerciais é proibido.
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sábado, 13 de março de 2010

Absolut Creative House

Terminou hoje o "Absolut Creative House", um evento que acolheu no Palacete Pinto Leite (antigo Conservatório de Música do Porto) uma mostra de projectos criativos com cunho nacional. Aproximadamente 50 criações provenientes de diversas áreas como a moda, a joalharia, a fotografia, instalação vídeo, música, etc. deixaram a sua marca neste edifício que em si só já é excepcional. Um evento, promovido pelo Centro Cultural Artes em Partes em parceria com a Absolut, que na minha opinião merece sem dúvida ser repetido muito em breve. Coisas assim não podemos deixar passar em branco (em preto, em amarelo, em azul, ...) e mais importante, não podemos deixar passar, ponto. É para repetir vezes sem conta. Deixo-vos com algumas imagens.













Fotografia © Nuno Ferreira
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sábado, 22 de agosto de 2009

XV Bienal de Cerveira

De passagem por Vila Nova de Cerveira não pude deixar de visitar a XV Bienal de Cerveira, patente ao público até ao próximo dia 27 de Setembro. Já tinha planeado visitar o Museu da Bienal numa passagem por aquelas bandas em Julho passado, mas não sendo possível daquela vez, foi agora em plena Bienal, que é muito melhor.
Devo dizer que fiquei satisfeito com o que vi. Já tinha sido "contagiado" por comentários e afins sobre a qualidade relativa habitual nos trabalhos expostos em Cerveira e num possível jogo entre amigos em que hoje dou-te uma palmadinha nas costas para amanhã dares tu nas minhas. Não sei se assim é. Mas relativamente aos trabalhos expostos, pelo que vi, a selecção não me parece má e deixo os meus parabéns à organização. Outro aspecto que valorizo sempre, como já sabem, é o poder fotografar. E lá pude fotografar à vontade.
Logo no início aparecem dois excelentes trabalhos do americano Marc Sijan, que com o extremo realismo das obras apresentadas deixavam os visitantes na dúvida sobre se o modelo era mesmo de carne e osso. Deliciei-me com o cuidado de uma jovem em não se aproximar muito para não perturbar a "senhora do espanador". Interessou-me igualmente, tanto pela ideia como pela apresentação, a obra de Mk Kähne, da Lituânia, intitulada "Suitcase Landscape", duas caixas de luz em forma de mala. Pelo caminho fui registando com algum interesse as obras de Pedro Oliver, Sandra Palhares, Pedro Brito, Efrain Almeida, Regina Silveira, Victor Pulido, Alfredo García Revuelta, Poderiu e António Vargas, entre muitos outros. Num segundo pavilhão, comissariado por Fátima Lambert, fui surpreendido por uma série de instalações bastante interessantes. Gostei em especial da do brasileiro Marcelo Moscheta, "Circulo Polar Artico", das "O Pássaro e o Unicórnio" e "O Lobo, o Pássaro e a Lua" do igualmente brasileiro Albano Afonso e a "Scanner" do espanhol Daniel Canogar. Num outro local, no dos bombeiros de Cerveira, encontramos um outro espaço de exposição com alguns trabalhos que também merecem destaque. Gostei dos trabalhos de M. Fagundes Vasconcelos, de Manuela Pimentel, de Francisco Trabulo. De Sobral Centeno gosto sempre. Sorri com os de Lariviere Olivier. Observei com interesse os de Kristina Girke. E simplesmente adorei o trabalho de Tiago Mestre. Já não tive tempo para visitar o espaço no edifício da biblioteca. Fica para uma próxima oportunidade. Se me for possível ainda volto lá antes do encerramento. Alguém quer vir?


Marc Sijan - USA - "Maid" - 1988


Marc Sijan - USA - "Security Guard" - 1986


Pedro Nelson Soares - Portugal - "Golden Balls"
Victor Pulido - Espanha - "Lope"


Marcelo Moscheta - Brasil - "Circulo Polar Artico" - 2007
Albano Afonso - Brasil - "Auto-retratos Modernos Latino Americanos/Europeus" - 2005/06


Albano Afonso - Brasil - "O Lobo, o Pássaro e a Lua" - 2008


Albano Afonso - Brasil - "O Pássaro e o Unicórnio" - 2008/09


Francisco Trabulo - Portugal - "Tuzla"
Sobral Centeno - Portugal - "Outros Lugares"


Kristina Girke - Alemanha - "Pfefferminzprinz" - 2005
Kristina Girke - Alemanha - "Goldknabe" - 2005


Tiago Mestre - Portugal - "Pintura I"

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domingo, 28 de junho de 2009

Henrique Pousão

No limite do último dia, lá consegui ir ao MNSR para ver a exposição do Henrique Pousão. Não se tratando de uma grande exposição (entenda-se em tamanho), os trabalhos expostos apresentavam uma coerência a todos os níveis, formando um agradável conjunto. Para além de Pousão, podíamos encontrar trabalhos de Artur Loureiro, Soares dos Reis, José Escada, Acácio Lino de Magalhães, Simões de Almeida, António Areal, entre outros, bem como algumas fotografias de Henrique Pousão tiradas enquanto criança, adolescente e jovem adulto e umas quantas mais de modelos ciociaros. Henrique Pousão, natural de Vila Viçosa, forma-se na Academia Portuense de Belas Artes. Segue para Paris e Roma, onde desenvolve o seu estilo e produz alguns dos seus melhores trabalhos. Pousão, que morre jovem, com 25 anos, vítima de tuberculose, na minha opinião, atinge a grandeza com os seus modelos humanos, em especial com este jovem modelo napolitano retratado na duas imagens publicadas sobre Pousão neste blog, "Esperando o Sucesso" e "Cabeça de Rapaz Napolitano". Se fiquei sensibilizado pela beleza de obras como o "Artista na infância" de Soares dos Reis (a cujo trabalho escultórico não consigo ser indiferente), e a já referida "Cabeça de Rapaz Napolitano" do próprio Pousão, foi na obra central que me perdi por longos momentos. Num jogo de olhares entre obra e admirador, o espaço bidimensional abre-se e permite a penetração no seu interior pelos nossos sentidos. O olhar atrevido do modelo, o desenhito que salta para primeiro plano, a obra em estudo atrás, a dinâmica entre luz e sombras no estúdio, o volume das formas, o aveludado das roupas, o bronzeado da pele, o silêncio do momento prestes a quebrar-se num riso solto, tudo me faz sentir a obra por inteiro. Pousão torna-se grande nesta obra. Em outras como a "Cansada", a "Napolitana" ou a "Cecília", do mesmo ano, 1882, sente-se o mesmo dom, a mesma mestria no retrato quase fotográfico se assim quisermos, mas sempre romântico, belo, intocável, imperturbável, mas é nesta que tudo se combina de forma perfeita. Que mais teria produzido Pousão se a sorte assim o tivesse permitido? Só me resta imaginar...

sábado, 9 de maio de 2009

Giotto em Pádua

No último dia da exposição "Giotto em Pádua - Frescos da Capela dos Scrovegni" realizou-se uma última visita guiada por Barbara Aniello que não estava programada. Felizmente tive a oportunidade de estar presente. Nem sempre os horários laborais se encaixam com os académicos mas por sorte tinha agendado estes dias livres para os dedicar ao estudo. E estas três horas e meia que direccionei para a visita (seguida da conferência de encerramento "Música escondida e numerologia secreta na Cappella degli Scrovegni") num misto de academismo e lazer valeram bem a pena. Devo começar por informar que os frescos não foram transportados por artes mágicas para o edifício da Reitoria da Universidade do Porto. O que lá estava era a reconstrução fotográfica (em forma de maqueta à escala 1:4) produzida por Giorgio Deganello. E por ter essa forma, quando soube pela primeira vez da exposição fiquei um pouco renitente em ir. Erro meu se tal acontecesse. A reprodução, sendo isso mesmo, não deixa mal o original e permite-nos sentir um pouco do que a última será na realidade. Confesso que fiquei com muita vontade de fazer uma rápida viagem a Pádua só para a ver na sua forma original. A visita foi bem conduzida por uma simpátiquíssima Barbara Aniello e só foi pena que o número considerável de aderentes à mesma tivesse dificultado a movimentação naquele espaço reduzido. Relembro que a escala da reprodução fazia de nós Gullivers em Liliput. A conferência que se seguiu surge como interessante complemento à visita anterior, revelando alguns aspectos, direi eu subjectivos, face à obra de Giotto. Infelizmente não posso recomendar a visita pois a exposição terminou, mas se tiverem a oportunidade de a ver num outro local (é itinerante) não a percam. Como última nota partilho convosco o seguinte. Durante a visita dei por mim a pensar que durante centenas de anos a Igreja Católica propositadamente mantinha os crentes num estado relativamente baixo de cultura, informação, conhecimento... Se não conheceres mais do que tens à frente dos olhos (e mesmo assim muitos não parecem ver o que se encontra debaixo do nariz) não questionas o que te dizem. Tornas-te amorfo e fácil de controlar. O temor a Deus e à Igreja era fácil de conseguir e os crentes multiplicam-se sem dificuldade. Mas no séc. XXI não me parece que assim seja. Nas últimas décadas a sociedade recebeu uma imunização geral que se estendeu à crença religiosa. Tudo é questionável, incluído Deus. Contudo sinto que, pela cultura, pela arte, sou elevado a um nível de espiritualidade que sem ela não tenho. Será que o reencontro com Deus poderá ser feito pelo sentido contrário. Quanto maior for a sensibilidade para a arte, a cultura, o conhecimento, maior a predisposição para aceitar um lado espiritual, chegar a Deus? Pequenas ideias que viajam nas minhas sinapses, saltando de neurónio em neurónio.

Deixo-vos aqui mais algumas fotos tiradas na exposição, a pedido da Adoa. Enjoy!