Espaço de partilha, ponto de partida e ponto de encontro, de ideias e de emoções, de tudo e de nada. Espaço de reflexão, de crítica e de opinião. Sobre a arte e sobre a ARTE. Sobre o artista e o artesão. Sobre o intelectual e o analfabeto. Sobre os escolásticos e os da escola da vida. Feel free to join in. Eu não mordo. Bem... pelo menos nem sempre.
Até ao dia 14 de Dezembro está patente ao publico na Galeria do Palácio o II Festival de Arte Contemporânea Finlandesa. Devo dizer que não ouvi falar do primeiro mas fiquei com alguma curiosidade sobre este e a visita proporcionou-se. Adianto que não fiquei muito impressionado com a mostra mas deu para encontrar alguns trabalhos interessantes. Quem passar nos próximos dias pelo Palácio de Cristal aproveite para visitar este espaço, com a exposição a ocupar os dois pisos da galeria. Fiquem com as imagens de alguns trabalhos.
(imagem superior) elina aho - man with the black hat (série indentities) - 2008 - oil on canvas
Até ao dia 13 de Setembro quem gosta de fotografia pode visitar o Festival Internacional de Foto-Jornalismo, Visa pour l'Image, que está patente ao publico na cidade de Perpignan desde o dia 29 de Agosto. Infelizmente não vou poder ir. Anunciado como o maior festival de foto-jornalismo do mundo, conta com exposições, projecções ao ar livre, colóquios e encontros, para além dos habituais stands de agências e marcas. Acrescido a estas boas razões, uma outra, a entrada é gratuita. Podem encontrar mais informações aqui.
No rescaldo de mais um Festival de Trebilhadouro esperava relatar algo de diferente. No entanto, é o final de um ciclo que espelho aqui. Com a aldeia quase renovada, casas de telha nova e cara lavada, alguns desacertos pelo meio entre anexos e portões de metal, pedras deslocadas, caminhos cortados e casas vedadas, este Trebilhadouro ainda que tenha trazido aromas de outros anteriores não pareceu o mesmo. A borradinha estava lá, bem como os workshops e grupos convidados. O publico no entanto é que não se mostrou, talvez devido ao tempo instável, talvez devido à concorrência naquele fim-de-semana. Também senti falta da feirinha de artesanato que por lá costumava marcar presença. A primeira performance, da primeira noite, esteve a cargo dos "Irmãos Esferovite". Como não sou grande adepto de circo não vou comentar, ainda que tenham conseguido arrancar-me alguns sorrisos. Parabéns. E conseguiram agradar ao publico pelo que percebi. Duplos parabéns. A actuação seguinte ficou a cargo dos "Tinto e Jeropiga". Esses confesso que me animaram. São a imagem perfeita para este tipo de festival. Num som folk de suporte tradicional, animam e ajudam a aquecer a noite fria da serra. A noite termina com a actuação do "Mestre Galissá", da Guiné-Bissau, com um cheirinho a Africa. A segunda noite contou com uma alteração ao programa provocada pelo estado do tempo e em vez da actuação do "Teatro Experimental de Pias" assistimos a um estória pelo contador Mussá Ibrahimo de Moçambique. A noite aquece com "André Cabaço Trio", de Moçambique num concerto bastante interessante e termina com a actuação dos "Mosca Tosca" de Portugal que conseguiu motivar o publico a dançar noite dentro. Estes últimos surpreenderam-me bastante, posso garantir, revelando-se como a grande surpresa do festival no que me diz respeito. A última noite do festival contou com a presença do grupo português de cantares populares "Danças d'Unha" e para terminar, com o grupo galego "Linho do Cuco". A estes últimos destaco a proeza de actuar profissionalmente para os últimos resistentes presentes junto ao palco. Boa musica e muita simpatia que nos chega daquelas paragens. Abraço aos irmãos da Galiza. Quanto ao resto do festival nada de muito novo. Alguns workshops preencheram as tardes de sábado e domingo, para além das habituais caminhadas ao rio e sessões de yoga marcadas de véspera. Não sei se haverá novo Trebilhadouro. A acontecer terá forçosamente que ser em outros moldes. Parabéns à organização que trabalhou nos vários festivais. O objectivo principal foi conseguido. A aldeia está reabilitada e foi recentemente classificada. Esperemos que ganhe vida permanente e não apenas uma vez por ano. Até sempre!
Está aí à porta provavelmente o último Trebilhadouro - Festival Internacional de Artes e Culturas. Para quem não sabe, o festival está intimamente ligado ao desejo de reabilitar a Aldeia de Trebilhadouro, em Vale de Cambra. Por trás da ideia estiveram os membros da Associação Rasgo e do Teatro Arado. Agora, que o festival atinge a sétima edição, parece que o trabalho está concluído. A aldeia foi reabilitada e segundo sei, já está classificada. A última vez em que estive lá, na edição anterior do festival, há dois anos, a aldeia estava já numa fase de colocação de saneamento e acessos. Para quem participou nos primeiros festivais, com todas as casas cobertas de silvas e mato, a passar as noites cantando e dançando, a beber a "borradinha" e o vinho tinto em malgas de barro, ver este resultado deve saber muito bem. Eu apenas participei nas últimas duas edições, fazendo a cobertura fotográfica do evento. Este ano conto estar lá para registar mais esta. Este ano o festival conta com participações de grupos da Galiza, de Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde, para além das várias representações nacionais. Apareçam.
Deixo-vos algumas imagens recolhidas na edição anterior.
Não quero deixar de partilhar convosco algo que descobri navegando pelo mundo maravilhoso do youtube. Num daqueles dias em que a moral estava em baixo, que tudo parecia cinzento, uma explosão de preto e amarelo conseguiu a proeza de me fazer rir. Bem dizem que rir é o melhor remédio. O vídeo diz respeito a uma das actuações no JESC (festival da eurovisão junior, a.k.a. "o festival da canção dos putos") de 2008. Portugal não entrou pelo que não vale a pena procurar a participação lusa. Aliás parece que a maior parte dos países concorrentes saíram do antigo bloco de leste. Tudo bem. Voltando à prestação em causa, podemos verificar pelo "intro" do vídeo que se trata dos representantes da Georgia, duas raparigas e um rapaz que não aparentam ter mais do que 10 anos. O título deixa ainda antever que se trata da prestação vencedora. O grupo chama-se Bzikebi e a canção Bzzz. Arrisquei carregar no link. O que se seguiu é indescritível. Eu garanto que passei o primeiro minuto à espera que os putos começassem a cantar com língua de gente. Nada. Népias. Nicles. Zumbidos e mais zumbidos, num misto de língua inventada e muita brincadeira. Adorei. Amei. Tornei-me fã número um. O final até parece algo digno da Maria João e Mário Laginha. Deve ser fantástico desconstruir toda aquela representação de festival de gente grande mas com putos ranhosos (e sorridentes) e pré-adolescentes com tiques de popstar e ir ao festival apenas para gozar à brava. Não acredito que alguém estivesse à espera daquele resultado (e no entanto porque não?). Mas tenho a certeza que aqueles três deitaram-se na noite anterior, em pulgas, sonhando sair vencedores. Que outro final poderia ter aquele festival?
Deixo-vos a letra e o vídeo. Não tenham vergonha de o ver e rever. Vale bem por três comprimidos de Sertralina. E não dá ressaca.
Está aí o Portocine, Festival Internacional de Cinema Independente do Porto. Quero ver se consigo passar lá no último dia, visto ser-me impossível marcar presença nos dias anteriores. A selecção de filmes parece bastante interessante e os preços convidativos. Segundo a organização estarão presentes nomes como Tippi Hedren, a protagonista de "Os pássaros" de Alfred Hitchcock, Angel de La Cruz, realizador, e os portugueses Joaquim de Almeida, Nicolau Breyner, Sofia Aparício, São José Correia, entre outros. A exibição em ante-estreia nacional do filme "Fireflies in the garden" no último dia despertou-me algum interesse. Espero mesmo conseguir passar lá. Será o nascer de mais um festival de referência a norte? Quem diz que a cultura no Porto está morta engana-se. Faltava era espírito de iniciativa. Agora parece que se meteu mãos à obra e ou muito me engano ou o Porto dentro de um a dois anos pode ser realmente um centro de referência cultural. Os meus aplausos a estas iniciativas que ainda sabem a pouco. Que venha a cultura para se esquecer a crise.
Deixo aqui o link para o programa completo: PROGRAMA