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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Vila Real - Sé Catedral

A paragem seguinte da nossa visita a Vila Real foi a Sé Catedral daquela cidade, situada em pleno centro histórico, num dos lados da Avenida Carvalho de Araújo. A Sé Catedral não é mais nem menos do que a igreja do antigo Convento de São Domingos que viu-se elevada àquele estatuto aquando da criação da diocese de Vila Real, em 1922, por indicação de SS. o Papa Pio XI.
Voltando às origens, a primeira pedra da igreja terá sido lançada a 8 de Maio de 1424 na presença do Frei Vasco de Guimarães. A igreja construída em granito de origem local, é de estilo gótico, ainda que conserve um notório cunho românico, constituindo segundo o IPPAR o melhor exemplo de arquitectura transmontana daquele estilo. Na frente da igreja erguem-se dois contrafortes que definem as três naves. De entre os dois contrafortes avança o corpo onde se abre o portal gótico, composto com colunelos e arquivoltas lisas, encimado por duas edículas que abrigam, cada uma delas, uma pequena escultura quatrocentista provavelmente de um santo ou apóstolo. No alto da frontaria abre-se um óculo, possivelmente pensado para uma rosácea cujo espelho agora desapareceu e que actualmente se apresenta fechada por um vitral. A porta lateral norte é do mesmo tipo, embora mais modesta, enquanto que a sul é formada por um arco redondo com uma moldura de almofadadas em ponta de diamante. No exterior da igreja é ainda digno de nota as cachorradas sob as cornijas dos beirais, as molduras que marcam um segundo piso e duas pequenas rosáceas, a primeira na empena do arco triunfal e a segunda na empena do braço sul do transepto.
O interior segue o modelo das igrejas mendicantes da época quatrocentista. Aqui encontramos três naves, de cobertura de madeira, com igual número de tramos e transepto saliente. São delimitadas por arcadas longitudinais de arcos quebrados, de maior dimensão sobre os vãos do transepto, sustentados por pilares com colunas embebidas e arestas cortadas por chanfraduras côncavas. A iluminação realiza-se com um clerestório e frestas de pequena dimensão nas paredes das naves laterais.
A igreja sofreu algumas alterações no decorrer do século XVIII, em especial ao nível da cabeceira, passando então a sacristia e a capela-mor a ostentarem uma ornamentação exterior de estilo rocaille, igualmente patente na nova torre que foi adossada ao seu flanco sul. A capela-mor é de formato rectangular e é coberta por uma abóbada de berço rebocada, com três tramos definidos por arcos torais.
Espalhados pelas paredes interiores encontramos diversos arcossólios góticos, dos quais se destaca o que contém o túmulo de Diogo Afonso e de sua mulher Branca Dias, e que apresenta um arco quebrado de espelho trilobado e arca assente em leões de pedra.
Na igreja podemos ainda encontrar um conjunto de capitéis decorados com motivos antropomórficos e fitomórficos, onde se figuram personagens de perfil rodeadas por folhagem e que constituem uma representação das classes sociais e das actividades da época.
Em 1834 o edifício conventual é transformado em quartel militar, após a expulsão dos frades daquele espaço, o qual viria a ser devorado por um incêndio de mão criminosa a 21 de Novembro de 1837. O incêndio foi responsável pela destruição da maior parte da ornamentação interior do templo.
A igreja foi classificada como monumento nacional por decreto, datado de 19 de Fevereiro de 1926, tendo sido restaurada no início dos anos 40 do século XX nesse âmbito. Durante esta intervenção, parte do cadeiral de pau-preto da capela-mor foi removido, conservando-se no entanto alguns elementos, intervenção que procedeu igualmente à substituição do retábulo de talha por um outro de pendor mais clássico, adequado a uma pretensa austeridade que se quis recuperar.
Recentemente, já no século XXI, o pintor transmontano João Vieira, a convite do IPPAR realiza para o edifício uma série de vitrais que agora ali se apresentam, inspirados no evangelho segundo S. João.







Fotografia © Nuno Ferreira
É permitida a reprodução apenas para uso pessoal e educacional. O uso com fins comerciais é proibido.
Photography © Nuno Ferreira
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domingo, 5 de setembro de 2010

Porto - Sé Catedral

Confesso que já tardava uma visita a sério à Sé Catedral do Porto. Este fim-de-semana arrumei com a questão e ainda bem que o fiz. Que belo espaço aquele. O início da sua construção data da primeira metade do século XII, anterior mesmo à nacionalidade portuguesa, e prolongou-se até ao princípio do século XIII. O edifício, em estilo românico, foi sofrendo muitas alterações ao longo dos séculos. Da época românica datam o carácter geral da fachada com as torres e a rosácea, além do corpo da igreja de três naves coberto por abóbada de canhão. A abóbada da nave central é sustentada por arcos botantes, sendo a Sé do Porto um dos primeiros edifícios portugueses em que se utilizou esse elemento arquitectónico. Uma chamada de atenção é necessária para a associação ao Gótico, até porque o estilo entra tardiamente em terras ibéricas, permanecendo até bem mais tarde do que no resto da Europa. Na época gótica construiu-se a capela funerária de João Gordo, cavaleiro da Ordem dos Hospitalários e colaborador de D. Dinis. Igualmente Gótico temos o claustro (séc XIV-XV), construído no reinado de D. João I e que viria a casar com D. Filipa de Lencastre na Sé do Porto em 1387. O exterior da Catedral sofre inúmeras modificações na época Barroca. Por volta de 1772 construiu-se um novo portal em substituição do românico original. As balaustradas e cúpulas das torres são igualmente barrocas. Cerca de 1736, o arquitecto italiano Nicolau Nasoni adicionou uma esplêndida galilé barroca à fachada lateral.
Avançando para o interior da igreja, à esquerda da capela-mor encontra-se um magnífico altar de prata, construído na segunda metade do século XVII. No século XVII a capela-mor original, românica (que era dotada de um deambulatório), foi substituída por uma maior em estilo barroco. O altar-mor, construído entre 1727-1729, é uma importante obra do barroco joanino, projectado por Santos Pacheco e esculpido por Miguel Francisco da Silva. As pinturas murais da capela-mor são de Nasoni. O transepto sul dá acesso aos claustros do século XIV e à Capela de São Vicente. Uma graciosa escadaria do século XVIII de Nasoni conduz aos pisos superiores, onde os painéis de azulejos exibem a vida da Virgem e as Metamorfoses de Ovídio.
Deixo-vos com um pequeno vídeo que montei com alguns apontamentos do espaço e com as imagens da praxe.





Capela-Mor


Altar de Prata


Capela S. João Batista


Claustro


Sacristia


Sacristia


Capela de S. Vicente


Capela de S. Vicente | Jesus entre os Doutores
Capela de S. Vicente | Última Ceia


Capela de S. Vicente


Capela de S. João Evangelista


Sino do Relógio da Cidade (1697 - Manuel Ferreira Gomes)


Sala Capitular (tecto)


Sala Capitular | Maria com o Menino Jesus - séc. XVII (detalhe)
Sala Capitular | Senhora da Natividade - séc. XVII (detalhe)


Ante-Cabido | Anjo Gabriel (detalhe)
Ante-Cabido | Santo António com o Menino (detalhe)


Tesouro | Custódia
Tesouro | Custódia + Carneiro Místico


Tesouro

Fotografia & Vídeo © Nuno Ferreira
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Vila do Conde - Igreja Matriz

No coração de Vila do Conde encontramos a Igreja Matriz, um edifício tardo-gótico com elementos manuelinos, barrocos e neo-góticos. A construção teve inicio em 1496 pelo arquitecto João Rainho, seguido por Sancho Garcia e Rui Garcia Penagós e sofre um impulso fundamental com a passagem de D. Manuel I por Vila do Conde, em 1502. A parte mais significativa das obras ocorreu no período compreendido entre 1511 e 1514, sob direcção do arquitecto João de Castilho. A ele se devem o pórtico, as colunas e os arcos que dividem as naves laterais da central, o coro e a capela-mor, com sua intrincada abóbada gótica-manuelina. São obra posterior as capelas do transepto e a torre sineira, esta última erguida em 1573 por João Lopes o Velho, em estilo tardo-renascentista ou maneirista. Internamente, a igreja apresenta planta composta, em cruz latina com três naves de diferente altura com cobertura de madeira e cabeceira com três capelas, com uma capela de cada lado do transepto. Os tramos da nave são separados por colunas e arcos de volta perfeita. A capela-mor é coberta por um abóbada com nervuras de feição gótico-manuelina e possui um retábulo barroco de talha dourada, esculpido em 1740 pelo entalhador portuense Manuel Pereira da Costa Noronha. O púlpito e os altares laterais foram esculpidos na primeira metade do século XVIII pelo entalhador João Gomes de Carvalho.







Fotografia © Nuno Ferreira
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Saint-Étienne

Que posso eu dizer de Saint-Étienne? Ora bem, não é nada daquilo que estava à espera. Mas do que estaria eu à espera de uma cidade cuja história se fez na industria? A sensação com que fiquei foi de que em tempos Saint-Étienne foi uma cidade com algum vigor, com movimento. Agora parece ser apenas uma sombra do passado. Sombra como a que cobria os mineiros da mina de carvão. Com apenas um passo em falso e uma curva feita em direcção a uma rua secundária e ficamos em plena zona empobrecida, abandonada. A qualquer passo um restaurante turco ou similar com o típico "kebab", salvador a dado momento pois "kebab" é coisa que o meu estômago aguenta facilmente em comparação com algumas coisas que me são dadas a experimentar aquando em viagem. Aliás, o Islão é uma referência constante em Saint-Étienne, quer nos restaurantes, quer nas ruas e nos grupos de jovens rapazes de origens magrebinas ou nos das raparigas de lenço na cabeça. Contudo, o que podia ser interessante, pela multi-culturalidade, aparece como algo "exagerado", como se estivéssemos numa cidade que não uma do interior de França. Outra curiosidade é o de 80% do comércio estar fechado à segunda-feira. Como cheguei num domingo, não estranhei encontrar as lojas fechadas. É normal. Agora, segunda-feira estava reservada para conhecer um pouco a cidade e visitar algumas igrejas que encontrasse pelo caminho e os museus que conseguisse identificar, como é habitual nestas descobertas de cidade. Saio do hotel e começo a estranhar o pouco movimento pelas ruas e as lojas fechadas. Um olhar mais atento e verifico que na maior parte delas surge a indicação de abertas de "mardi" a "samedi". Ora bolas. Felizmente as igrejas ainda têm as portas abertas e os museus só fecham na terça. Por agora deixo algumas imagens das igrejas visitadas. Confesso que a que mais gostei foi logo a primeira, a Eglise Sainte-Marie. Construída sobre as ruínas de um convento datado de 1650, a igreja é aumentada em 1825. Em 1859 o arquitecto municipal, Etienne Boisson, realiza uma nova construção inspirada na Basílica de Fourvière, em Lyon. Destaco as três cúpulas e as pinturas interiores de inspiração romano-bizantinas. Ficam as imagens.


Eglise Sainte-Marie (fachada principal e fachada lateral)


Eglise Sainte-Marie (pormenor das três cúpulas e capela lateral)


Cathédrale Saint Charles (fachada e pormenor interior)


Cathédrale Saint Charles (tomada de vista nave lateral)
Cathédrale Saint Charles (tomada de vista geral do interior)


Grand'Eglise (pormenor fachada principal e lateral)

Fotografia © Nuno Ferreira
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