sábado, 18 de julho de 2009

Dialogues Boxes on Street Windows

De passagem por Faro, deambulando pelas ruas perto do centro histórico na esperança de ir lá ter, deparei-me com esta coisa fantástica que têm na imagem. Uma carrinha peluche, ou quem sabe um peluche carrinha. A obra chama-se "Ford Teddy" e é da autoria de Tiago Custódio. Nas imediações mais algumas obras podiam ser encontradas, como as que junto em baixo. Uma instalação de Joana Bárbara intitulada "Suspensão", outra de Tatiana Barreiros intitulada "Trap" e numa outra zona relativamente perto descobri que as "Brincadeiras de mão são beijos de burro" segundo Ana Vidigal. Só consegui ver estes quatro trabalhos mas segundo o que descobri no site da Câmara Municipal de Faro, o projecto inaugurado a 20 de Junho conta com muitos mais. O projecto em si pretende responder (ou pelo menos cogitar sobre) a duas questões. O que é a Arte Pública e qual é a necessidade da Arte intervir em espaços já saturados com informação visual. A ideia é pertinente e no entanto encontro alguma impertinência nela. Há uns dias atrás, na véspera da inauguração da exposição de Arte Pública "Homem T", uma jovem, dita artista, ao passar na baixa do Porto com uma amiga e ao deparar-se com um exercito de estátuas tapadas por panos brancos, resolveu destapar um, tentar levar consigo a estátua, e ao não o conseguir, intentar seguir rua fora com o pano na cabeça. Ao ser abordada por alguns elementos da organização, deu início a uma série de baboseiras que não relato aqui pois eu também sou novo (a deixar de o ser rapidamente, infelizmente) e compreendo o que é sair de um bar pelas sete da manhã e que o consciente perde por vezes para o inconsciente e que o racional passa rapidamente a irracional. Contudo dizia ela ser artista, repito. E que aquilo não era Arte Pública, porque Arte Pública é para ser tocada e fazer-se o que se quiser e que se ela quisesse levar o pano ou fazer outra coisa à estátua era para isso que a mesma ali estava. De outra forma não era Arte Pública e o que queríamos era um "happening" à hora marcada de inauguração. Pena confundir-se Arte Pública com "algo que está na rua para ser destruído e vandalizado". Pelo que percebi, se a Arte é Pública, então posso fazer o que quiser, incluído roubar, destruir, vandalizar. Não sei o que ensinam em Belas Artes, nem o que alguns jovens artistas andam a aprender. Já é triste ver muitas das obras vandalizadas por delinquentes e povinho alcoolizado. Agora pseudo-artistas a acharem que têm esse direito é demais. Gostava de um dia a apanhar numa performance pública para lhe pregar uns bons sopapos a ver se ela gostava. Provavelmente diria que eu era contra as artes e que a estava a impedir de exercer o seu direito de expressão. Felizmente parece que a sul do país existem menos vândalos. As quatro obras que vi encontravam-se em bom estado, exceptuando duas pequenas legendas junto à obra e coisas de pormenor que um mês na rua, ao sabor dos elementos naturais, não pode ser evitado. O nosso Homem T já conta com mais estragos e tem apoio permanente. Será que o facto de em Faro nesta altura do ano andarem mais estrangeiros nas ruas do que portugueses tem alguma influência? Talvez, talvez...
Seja como for, se passarem em Faro fiquem atentos. Podem encontrar algo de surpreendente ao virar da esquina.

domingo, 12 de julho de 2009

Mercado Porto Belo

Estive este sábado no Mercado Porto Belo. Já andava há algum tempo para lá ir, mas por uma razão ou por outra, maioritariamente por preguiça, ainda não o tinha feito. O mercado Porto Belo inspira-se, segundo o divulgado, no famoso mercado londrino, Portobello. Pois, inspira-se. Falta-lhe a dimensão e a acção. Mas gostei desta versão micro o suficiente para desejar que não fique apenas por Setembro, mas que descubra um espaço que o possa albergar durante todo o ano. Há tanto espaço latente nesta cidade que nem sei por onde começar. Adorava ver este nosso Porto Belo a crescer a ganhar uma identidade solida, daquelas que deixa uma marca em quem lá passa. Dele posso-vos dizer que gostei do ambiente, acolhedor e no entanto desprendido, solto, fresco. Pequeno, mas suficientemente interessante para valer a pena a visita. Nesta primeira incursão comprei um pequeno "menino jesus" e três gravuras, tudo a um euro. Fiquei com vontade de comprar mais algumas pequenas peças, mas fica para a semana. Assim, obrigo-me a voltar com mais calma e quem sabe a encontrar outras tentações. Essas, não faltam e são para todos os gostos.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Cinema Fora do Sítio

Pois é... aparentemente já está aí uma nova edição do Cinema Fora do Sítio. E como sempre, o filme em cartaz que mais queria ver, já passou. O ciclo deste ano, na 10ª edição, começou no dia (noite) 3 de Julho. Ainda não vi "muppies" na cidade e a Porto Lazer fez o favor de enviar a divulgação por email (que mais uma vez chega sem abrir seja que imagem for) hoje. Lá diz o ditado, antes tarde do que nunca. Sugestão à organização: para o ano comecem com os filmes mais antigos e deixem os mais recentes para o fim. Ainda assim, temos muita coisa boa para ver. David Lynch está em força com "Mulholland Drive" e com "Uma História Simples", nos dias 18 e 24 de Julho. Os dois são excelentes. É uma boa oportunidade para ver dois estilos bem diferentes de Lynch. Para quem ainda não viu o grande vencedor dos Óscars deste ano, tem agora a possibilidade de assistir a "Quem quer ser Bilionário", a encerrar este ciclo em 1 de Agosto. A restante escolha também não está má pelo que vale sempre a pena a deslocação. E pelo menos é uma noite diferente, de cinema sem pipocas (ou talvez não, acho que me lembro de ver um pipoqueiro no ano passado). Aproveitem. Saiam de casa, levem os putos, a mãe e a avó, convidem a vizinha do lado, a colega do trabalho, o senhor do café. Apanhem ar fresco. Esqueçam a Gripe A. Mas levem um casaquinho por sim e por não.

domingo, 5 de julho de 2009

Convento Sanpayo

Ontem o Clube UNESCO Espaço T fez uma visita a Vila Nova de Cerveira, onde se incluiu uma passagem pelo Convento Sanpayo. Após uma subida de vários quilómetros desde o centro de Cerveira chegamos àquele espaço, onde o silêncio predomina e o Homem se sente pequeno. Este convento, fundado em 1392, foi recuperado pelo Mestre José Rodrigues e serve de casa à Associação Cultural Convento S. Paio. Aqui José Rodrigues criou a sua casa, o seu espaço de trabalho e reflexão. Os espaços exteriores, bem cuidados, estão preenchidos por obras do Mestre. Lá pude rever a Anja, velha amiga do Porto e que infelizmente nos deixou, raptada e violada por seres menores. Mas afinal ainda vive naquele local de clausura, a salvo dos homens maus. Ao seu lado outras amigas lhe fazem companhia, silenciosas e observadoras. No espaço interior, as várias áreas são agora aproveitadas para outras funções. A capela, de particular arquitectura já que a nave e a abside apresentam tamanhos idênticos, serve agora a um outro tipo de reflexão e elevação. As peças religiosas e iconográficas presentes surpreendem de algum modo. O coro alto recebe as vozes das imagens do fotógrafo Júlio de Matos. No piso superior do convento são apresentados dois espaços de exposição com obras de José Rodrigues: um exclusivo de trabalhos em cerâmica e um outro onde predomina a pintura. Regressando ao piso térreo, somos encaminhados a uma sala, onde várias peças orientais reunidas pelo Mestre, são apresentadas. De novo, surpreende tal conjunto. Um belo espaço de reflexão e de inspiração por certo. Vale bem a pena a visita. Recomendo vivamente. Deixo-vos algumas imagens recolhidas durante a visita.


Fotografia © Nuno Ferreira
É permitida a reprodução apenas para uso pessoal e educacional. O uso com fins comerciais é proibido.
Photography © Nuno Ferreira
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domingo, 28 de junho de 2009

Henrique Pousão

No limite do último dia, lá consegui ir ao MNSR para ver a exposição do Henrique Pousão. Não se tratando de uma grande exposição (entenda-se em tamanho), os trabalhos expostos apresentavam uma coerência a todos os níveis, formando um agradável conjunto. Para além de Pousão, podíamos encontrar trabalhos de Artur Loureiro, Soares dos Reis, José Escada, Acácio Lino de Magalhães, Simões de Almeida, António Areal, entre outros, bem como algumas fotografias de Henrique Pousão tiradas enquanto criança, adolescente e jovem adulto e umas quantas mais de modelos ciociaros. Henrique Pousão, natural de Vila Viçosa, forma-se na Academia Portuense de Belas Artes. Segue para Paris e Roma, onde desenvolve o seu estilo e produz alguns dos seus melhores trabalhos. Pousão, que morre jovem, com 25 anos, vítima de tuberculose, na minha opinião, atinge a grandeza com os seus modelos humanos, em especial com este jovem modelo napolitano retratado na duas imagens publicadas sobre Pousão neste blog, "Esperando o Sucesso" e "Cabeça de Rapaz Napolitano". Se fiquei sensibilizado pela beleza de obras como o "Artista na infância" de Soares dos Reis (a cujo trabalho escultórico não consigo ser indiferente), e a já referida "Cabeça de Rapaz Napolitano" do próprio Pousão, foi na obra central que me perdi por longos momentos. Num jogo de olhares entre obra e admirador, o espaço bidimensional abre-se e permite a penetração no seu interior pelos nossos sentidos. O olhar atrevido do modelo, o desenhito que salta para primeiro plano, a obra em estudo atrás, a dinâmica entre luz e sombras no estúdio, o volume das formas, o aveludado das roupas, o bronzeado da pele, o silêncio do momento prestes a quebrar-se num riso solto, tudo me faz sentir a obra por inteiro. Pousão torna-se grande nesta obra. Em outras como a "Cansada", a "Napolitana" ou a "Cecília", do mesmo ano, 1882, sente-se o mesmo dom, a mesma mestria no retrato quase fotográfico se assim quisermos, mas sempre romântico, belo, intocável, imperturbável, mas é nesta que tudo se combina de forma perfeita. Que mais teria produzido Pousão se a sorte assim o tivesse permitido? Só me resta imaginar...

sábado, 27 de junho de 2009

Homem T

Será na próxima sexta-feira, dia 3 de Julho, pelas 18:00 na Avenida dos Aliados, que a cidade do Porto terá a oportunidade de assistir à inauguração do mais recente projecto de arte pública do Espaço T. São 100 modelos em fibra de vidro, pintados por outros tantos artistas (e mais alguns) que assim criaram a sua versão do Homem T, um Homem ideal, utópico. Durante o mês de Junho, estes modelos foram (e ainda estão a ser) intervencionados, num laboratório artístico e qual exército libertador, estão prestes a sair e a partilhar com todos a sua energia. Mais do que um manifesto, este projecto assume-se como um projecto de felicidade. Essa, a felicidade, está onde quisermos que esteja. E espero encontrar um pedacinho dela lá... no meio de uma multidão de Homems T. Apareçam... vamos partilhar a felicidade juntos.



Fotografia © Nuno Ferreira
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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Deixa-me entrar: matar para sobreviver

Para quem ainda não foi ver aconselho vivamente. Quem pensa que a Suécia é só a terra de exportação dos Abba e do Ikea engana-se redondamente. O "Deixa-me entrar" é um filme despreocupado, sem grande produção e calculo que sem grande orçamento. Contudo é na sua simplicidade, na luz suave da manhã, no frio da neve que cai e na ingenuidade de Oskar que este filme se revela. Que par mais perfeito de que um miúdo de 12 anos, inteligente mas um pouco inocente, vitima de "bullying", e uma miúda que afinal não é miúda mas sim um(a) vampiro? O primeiro deseja matar quem o tortura (se bem que só toma consciência disso mais tarde). A segunda mata porque precisa de o fazer. Um homem que se sacrifica por ela. Um trio de "bullys" que não são apenas um cliché. Os vizinhos iguais a tantos outros e com as suas estórias que apenas vislumbramos.
Ao ver o filme não consegui deixar de me sentir ligado aquelas personagens. Porque aqueles 12 anos do Oskar foram os meus. Porque às vezes mato para sobreviver. Porque às vezes faço coisas pressionado pelos outros. Porque às vezes me sinto só e procuro o conforto em algo ou em alguém, nem que seja um vampiro. Porque ainda sonho e me emociono. Porque ainda vejo o mundo com os olhos de um miúdo de 12 anos. Porque sou eu.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Henrique Pousão

Entre exames e trabalhos para entregar, faço a promessa a mim mesmo de ir ver a exposição patente ao público no Museu Nacional Soares dos Reis sobre o trabalho de Henrique Pousão, "Esperando o Sucesso”: impasse académico e modernismo de Henrique Pousão". Só lá está até ao fim do mês e é uma pena deixar passar. Para além das peças do próprio museu, estão lá reunidas umas tantas outras oriundas de várias colecções e acervos, tornando-se assim numa óptima oportunidade para as ver. Junto o texto de divulgação para consulta.

MNSR:
Exposição “Esperando o Sucesso”: impasse académico e modernismo de Henrique Pousão, no Museu Nacional Soares dos Reis do Porto, de 26 de Março a 28 de Junho de 2009.
No âmbito dos 150 anos do nascimento de Henrique Pousão, o Museu Nacional de Soares dos Reis do Porto realiza uma exposição centrada numa obra singular do célebre pintor.
Esperando o Sucesso é uma pintura singular de Pousão, realizada em Roma em 1882, na qual se representa o tradicional tema do descanso do modelo no atelier do artista. Esta obra obteve impacto imediato na época, tendo sido publicada, antes da sua exibição pública em 1883, na revista A Arte Portuguesa.
Esperando o Sucesso: impasse académico e modernismo de Henrique Pousão reúne pinturas, esculturas e desenhos de diferentes autores nacionais e internacionais, entre os quais: Soares dos Reis, Columbano, Aurélia de Sousa, António Areal, José Escada, Francesco Caroto, Antonio Mancini e Vaillant Wallerand. A exposição oferece uma rara oportunidade para explorar o quadro Esperando o Sucesso, uma das pinturas mais famosas de Pousão, ao longo de um percurso que relaciona mais de 60 obras e inúmeros documentos.
Henrique Pousão, nascido em 1859 em Vila Viçosa, foi um dos mais promissores e originais pintores da sua geração. Apesar de ter morrido muito jovem, aos 25 anos de idade, a sua obra constitui um marco de enorme relevância para a cultura e a arte portuguesas.
O Museu Nacional de Soares dos Reis tem o privilégio de possuir a maior colecção de pinturas de Henrique Pousão, dispondo ainda de um conjunto significativo de obras de pintores portugueses, seus contemporâneos, entre os quais Silva Porto, Marques de Oliveira e Artur Loureiro.
Nesta exposição, para além das obras pertencentes ao Museu Soares dos Reis, serão incluídos desenhos do Museu da Faculdade de Belas-Artes do Porto, muitas peças de diversos Museus Nacionais e colecções particulares, bem como imagens e pinturas pertencentes ao Museu de Belas-Artes de Lille, à Colecção Frugone de Génova e ao Museu da Fotografia de Roma.
Do conjunto das obras, destacam-se as esculturas de Soares dos Reis, O Artista na Infância e o Abandonado, assim como o Álbum da Vida de Pousão, pertencentes a Colecções privadas portuguesas.

domingo, 14 de junho de 2009

Joaquín Sorolla y Bastida

Tem sido complicado vir ao blog, mas sabem como é... época de exames e o trabalho também não perdoa, para não falar no pequeno acidente doméstico que me deixou um bocado zonzo (nem perguntem). Contudo, nem tudo são más notícias. No próximo mês, se não acontecer mais nada, sigo uns dias para Madrid. Espero estar em condições físicas perfeitas, pois conto visitar uma dose razoável de museus e exposições. Não há nada a fazer. Uns gostam de praia e de calor, eu gosto de museus e do ar-condicionado. E que tem Joaquín Sorolla y Bastida a haver com isto? Acontece que o Museo Nacional del Prado tem patente até 6 de Setembro uma exposição retrospectiva do trabalho deste mestre espanhol, nascido em 1863, em Valência. Antes de saber que Sorolla ficou conhecido como o "pintor da luz" já tinha ficado com a sensação que os seus trabalhos traduziam cenas, muitas de praia e beira mar, com uma mestria no uso das cores e dos brilhos, que me provocavam uma imensa sensação de empatia, como se transportado para aquele local, naquele exacto momento. Fica prometido um novo post em relação a este pintor após a visita à exposição.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Casa Oficina António Carneiro

Aproveito este meu regresso ao blog, após alguns dias de ausência para destacar a reabertura da Casa Oficina António Carneiro. Ainda não fui lá, mas está para breve a vista, até porque moro bem perto daquele espaço. Espero que desta vez a casa seja dinamizada como merece e que o seu exterior continue de paredes brancas. É muito mau verificar os constantes atentados aquele edifício, seja por pedras atiradas às janelas, seja por constantes gatafunhadas nas paredes. A proximidade da Escola EB 2/3 Pires de Lima e do Liceu Alexandre Herculano não ajudam, mas também um espaço abandonado durante uma década assim se dispunha. Qual o mais vândalo, o puto que atira a pedra ou a autarquia que deixa ao abandono? Bem, águas passadas assim o espero. Está aberta. Visitem-na. Eu assim o irei fazer.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Desenho e Graffiti - Arte ou Subarte?

No próximo dia 29 de Maio, estarei como convidado numa das Tertúlias do Palácio das Artes, subordinada ao tema "Desenho e Graffiti - Arte ou Subarte?". A tertúlia conta ainda com a presença de Acácio Leite, Alexandre Rola, Gustavo Teixeira, José Rodrigues, Manuel Sousa Pereira, Sílvia Simões e Tiago (aka Blast). Começa pelas 21:30. Apareçam!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mais um final de ano lectivo...


Não resisti a "postar" aqui esta imagem. Estamos no final de mais um ano lectivo e palpita-me que muitas cenas destas vão correr escolas e depois os pasquins sensacionalistas e os telejornais com falta de notícias a sério. E infelizmente sempre que se dá cobertura noticiosa a estas cenas apenas potenciam o surgimento de outras. Isto não é caso de jornais, é de policia. E de educação. Enganem-se se pensam que ajudam os filhos forçando notas que eles não merecem. Mais tarde só se forçarem as técnicas do centro de emprego ou as assistentes sociais, porque os patrões, esses não cedem a pressões dos papás e meninos maus não metem medo. O comic é francês mas podia bem ser português, não acham? C'est quoi ces notes? Hahaha!

sábado, 16 de maio de 2009

Noite & Dia dos Museus + Cadeia Aberta + Festa Na Baixa

Esta segunda quinzena do mês de Maio promete. Deixo aqui informação de três eventos a acontecer nos próximos dias, aliás, um deles a começar já hoje. Vou tentar acompanhar alguma da programação e a acontecer, colocarei aqui algum feedback se tal o justificar.
Começo por destacar o "Noite & Dia dos Museus" com uma programação interessante ao longo dos dias 16, 17 e 18. Procurem no PROGRAMA e certamente encontrarão algo que vos interesse.
Ainda dentro do espírito de celebração do Dia Internacional dos Museus, o Centro Português de Fotografia propõe no dia 18 um leque variado de actividades. De manhã, pelas 10:00, o Encontro Internacional "Territórios da Fotografia". De tarde, entre as 14:00 e as 17:00, temos disponível o Showroom de Equipamento Profissional Epson/Colorfoto, e entre as 15:00 e as 16:00 um ateliê de retoque e restauro de fotografia e leitura onírica de textos (what??... ok, talvez tenha piada). Pelas 16:00 há uma visita guiada por Nuno Miranda à exposição de vídeo e fotografia "Not from Concentrates". Para quem só pode ir à noite, o CPF propõe o espectáculo teatral "As Invasões Francesas, no Canto, na Dança e na Paródia".
Para terminar, há festa na baixa. Parece bem? Pois, o Centro Nacional de Cultura - Núcleo do Porto, apresenta o "FNB - Festa Na Baixa" entre os dias 20 e 23 de Maio. Consultem o PROGRAMA, bastante extenso por sinal. E divirtam-se!!

sábado, 9 de maio de 2009

Giotto em Pádua

No último dia da exposição "Giotto em Pádua - Frescos da Capela dos Scrovegni" realizou-se uma última visita guiada por Barbara Aniello que não estava programada. Felizmente tive a oportunidade de estar presente. Nem sempre os horários laborais se encaixam com os académicos mas por sorte tinha agendado estes dias livres para os dedicar ao estudo. E estas três horas e meia que direccionei para a visita (seguida da conferência de encerramento "Música escondida e numerologia secreta na Cappella degli Scrovegni") num misto de academismo e lazer valeram bem a pena. Devo começar por informar que os frescos não foram transportados por artes mágicas para o edifício da Reitoria da Universidade do Porto. O que lá estava era a reconstrução fotográfica (em forma de maqueta à escala 1:4) produzida por Giorgio Deganello. E por ter essa forma, quando soube pela primeira vez da exposição fiquei um pouco renitente em ir. Erro meu se tal acontecesse. A reprodução, sendo isso mesmo, não deixa mal o original e permite-nos sentir um pouco do que a última será na realidade. Confesso que fiquei com muita vontade de fazer uma rápida viagem a Pádua só para a ver na sua forma original. A visita foi bem conduzida por uma simpátiquíssima Barbara Aniello e só foi pena que o número considerável de aderentes à mesma tivesse dificultado a movimentação naquele espaço reduzido. Relembro que a escala da reprodução fazia de nós Gullivers em Liliput. A conferência que se seguiu surge como interessante complemento à visita anterior, revelando alguns aspectos, direi eu subjectivos, face à obra de Giotto. Infelizmente não posso recomendar a visita pois a exposição terminou, mas se tiverem a oportunidade de a ver num outro local (é itinerante) não a percam. Como última nota partilho convosco o seguinte. Durante a visita dei por mim a pensar que durante centenas de anos a Igreja Católica propositadamente mantinha os crentes num estado relativamente baixo de cultura, informação, conhecimento... Se não conheceres mais do que tens à frente dos olhos (e mesmo assim muitos não parecem ver o que se encontra debaixo do nariz) não questionas o que te dizem. Tornas-te amorfo e fácil de controlar. O temor a Deus e à Igreja era fácil de conseguir e os crentes multiplicam-se sem dificuldade. Mas no séc. XXI não me parece que assim seja. Nas últimas décadas a sociedade recebeu uma imunização geral que se estendeu à crença religiosa. Tudo é questionável, incluído Deus. Contudo sinto que, pela cultura, pela arte, sou elevado a um nível de espiritualidade que sem ela não tenho. Será que o reencontro com Deus poderá ser feito pelo sentido contrário. Quanto maior for a sensibilidade para a arte, a cultura, o conhecimento, maior a predisposição para aceitar um lado espiritual, chegar a Deus? Pequenas ideias que viajam nas minhas sinapses, saltando de neurónio em neurónio.

Deixo-vos aqui mais algumas fotos tiradas na exposição, a pedido da Adoa. Enjoy!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Em memória de Vasco Granja

Não queria deixar de escrever uma entrada neste blog acerca do falecimento de Vasco Granja. Confesso que quando miúdo não tinha particular interesse pelos desenhos e bonecos animados que o saudoso Vasco Granja trazia até mim. Sou produto pós-revolução, teenager das sitcoms americanas. Ainda me lembro do primeiro episódio dos Simpsons que deu em Portugal, e logo com honras de horário nobre. Sou um porco capitalista que olhava para aqueles produtos da europa de leste com olhar desconfiado. Ainda assim, recordo com saudade aquele senhor, de voz calma e doce, que de olhos brilhantes apresentava este e aquele programa seguinte "made in" Checoslováquia. Acho que é em grande parte culpa dele que sem hesitação sei que existiu uma Checoslováquia. Devo dizer-vos que sou um grande defensor do serviço público na televisão. E Vasco Granja era serviço público. Não obstante a minha preferência por desenhos animados japoneses, dobrados em francês e legendados em português (quem se lembra das "Misteriosas Cidades de Ouro"?) via Vasco Granja... e como o ditado diz "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Por tudo isto, o meu obrigado amigo Vasco Granja!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Portocine ou as memórias do velho Fantas

Era a sessão de encerramento do 1º Portocine, festival de cinema independente, a decorrer no cinema Batalha. Devo dizer que estava curioso tanto pelo evento em si, como pela ante-estreia nacional do filme "Fireflies in the Garden". Não me lembro do nome em português mas recordo-me que não me agradou e como tenho a mania do anglo-saxónico, o nome original parece-me muito bem. Em relação ao filme posso dizer-vos que não era aquilo que esperava. Uma história de família, trágica q.b. mas igualmente inteligente ao ponto de deixar no ar uma mensagem de esperança no futuro. Abusa um pouco das "viagens no tempo" em flashbacks constantes mas sem perder o sentido de continuidade. A relação entre os primos fica um tanto ao quanto dúbia mas desculpa-se. As interpretações não são geniais mas são seguras. Mas chega de comentário ao filme, apetece-me comentar a sessão em si mesma. O surreal começa ao pedir os bilhetes: - "Eram três bilhetes de estudante, por favor.". Resposta do outro lado: - "É assim, já não há bilhetes. Mas se descerem e houver lugares vazios podem entrar e nem pagam nada.". Ora isso do não pagar nada até soa bem à primeira. Mas ao descer rapidamente apercebemos-nos que lugares vazios só muito dificilmente porque entre pessoas com bilhete e pessoas com convites, os lugares eram em menor número do que os dois grupos mencionados. De repente quem estava à porta a receber desaparece e que estava à porta para entrar entra na mesma. Os degraus de acesso à sala até dão bons lugares e eu arranjei um braço numa cadeira da ponta na última fila que no meio daquilo tudo até parecia confortável. Filme mudo de Chaplin já a rolar e as vozes da populaça a pedir almofadas e já agora whisky com gelo. Filme de Chaplin cortado antes de acabar porque os VIP's da cerimónia afinal chegaram... atrasados mas chegaram e o que é o Chaplin ao lado do Nicolau Breyner. Mais zururu da populaça e faz-se a entrega dos prémios. Pena que a Tippi Hedren se tenha perdido pela cidade e não tenha chegado a tempo (mesmo que atrasada). Saem os VIP's, começa a apresentação da curta metragem "Má Fila". Eu sobre esta não vou falar. Sempre me disseram que quando não tiver nada de bom para falar, para estar calado. Bom conselho, mãezinha. Acaba a curta começa a longa. Fim da longa e uma dor nas costas e nos glúteos. Mas ainda assim satisfeito (e para calar as más línguas, não, não era pela dor no rabo) porque de repente tinha menos quinze anos e estava de novo no velhinho Fantas, num Teatro Carlos Alberto a cair de podre, mas cheio de pessoas com vontade de ver um filme e sentir gozo com isso, ao invés de irem porque é moda, porque é "bem" e porque se acham todos cinéfilos. Nota de espectador: "Um filme coreano no Fantas é para ver aos guinchos, mandar bocas, gozar com as roupas e adereços e não para ver calado com ar de apreciador de música clássica.". Se prometerem que para o ano este Portocine é assim, com pessoas a mais e lugares a menos, vadios a mandar bocas estúpidas e este gozo de ir ver filmes, garanto que estou lá presente. E apetece-me dizer (devido à proximidade da data) viva o 25 de Abril.

domingo, 19 de abril de 2009

Hipólito

Como o prometido é devido, aqui estou eu para comentar o espectáculo. Inicialmente fiquei com a sensação que poderia ser mais pesado do que realmente foi. Sem dúvida que o tema é desconfortável, mais do que outra coisa qualquer. Mas o desconfortável tem vários níveis e depende de quem o experimenta e eu nunca tive grande inclinação para sentir desconforto com temas fortes. As primeiras cenas levam o espectador a entrar num mundo de abusos e agressões e a iniciar a escalada na tal gradação de desconforto. O texto é fluido e funcional, um pouco duro e directo, o que aparentemente é normal em Mikael de Oliveira. Pelo menos fiquei curioso sobre o trabalho dele. A encenação, do próprio John Romão, é simples mas recortada com pormenores de extrema inteligência. Entre muitas outras coisas gostei do banho e gostei do porco. Não me perguntem... vão ver. Mas, para além do texto e da encenação, estava curioso para ver se a relação entre os dois actores tinha sido conseguida ou não. E durante o espectáculo o que transpareceu foi uma enorme empatia entre o John Romão e o pequeno actor Martim Barbeiro, ao ponto de o primeiro descer a máscara do segundo e humanizá-lo com as demonstrações de preocupação em relação a este, ao invés do que seguia no texto entre personagens, preocupação com as suas posições em palco, tempos e mais importante com a segurança e bem estar de Martim. O humor de John, a dançar entre o negro e o british, estava lá presente e martelava sempre que necessário. O de Martim, natural e infantil, também e era delicioso.
Numa escala de 10... não, nada de escalas neste blog. Não acham pretensioso isso das escalas? Ver uma nota alta atribuída a algo que no dia anterior tínhamos visto e detestado e uma nota baixa à coisa que nos parecia ser a revelação dos segredos do universo? Apenas digo que vale a pena ver. Não é perda de tempo, nem de dinheiro, nem de neurónios.

PS: Pergunta aos actores - Não deslocaram nenhum bracinho ao pequeno Martim, pois não? Livra. Aquilo parece a dada altura que o rapaz está numa centrifugadora a 100 à hora. O John devia vender bilhetes na Feira Popular e apresentar-se como montanha russa personalizada. Impossível ver aquilo como actos de violência quando recortados por gritos de alegria e gozo do Martim. Cool.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Portocine

Está aí o Portocine, Festival Internacional de Cinema Independente do Porto. Quero ver se consigo passar lá no último dia, visto ser-me impossível marcar presença nos dias anteriores. A selecção de filmes parece bastante interessante e os preços convidativos. Segundo a organização estarão presentes nomes como Tippi Hedren, a protagonista de "Os pássaros" de Alfred Hitchcock, Angel de La Cruz, realizador, e os portugueses Joaquim de Almeida, Nicolau Breyner, Sofia Aparício, São José Correia, entre outros. A exibição em ante-estreia nacional do filme "Fireflies in the garden" no último dia despertou-me algum interesse. Espero mesmo conseguir passar lá. Será o nascer de mais um festival de referência a norte? Quem diz que a cultura no Porto está morta engana-se. Faltava era espírito de iniciativa. Agora parece que se meteu mãos à obra e ou muito me engano ou o Porto dentro de um a dois anos pode ser realmente um centro de referência cultural. Os meus aplausos a estas iniciativas que ainda sabem a pouco. Que venha a cultura para se esquecer a crise.

Deixo aqui o link para o programa completo: PROGRAMA

Miguel Bombarda - Inaugurações Simultâneas Abril 2009

Mais uma das inaugurações simultâneas das galerias em Miguel Bombarda. Este sábado pelas 16:00 nas galerias aderentes. Vale sempre a pena se bem que nem tudo o que é exposto valha. É como tudo na vida. Mas recomenda-se pelo ambiente, pela gente, pelo fenómeno. E por muita boa arte que por lá se encontra. E é uma oportunidade para descobrir novos artistas, novas tendências, esta ou aquela coisa que se vê e que se quer. E se não puder ir lá no sábado, pode sempre passar lá durante a semana até à próxima inauguração.

sábado, 11 de abril de 2009

Bayang - Sombras do Som

Após a conferência "Os surdos não ouvem concertos" que, para sexta-feira santa e mesmo às 14:30, contou com mais de 100 espectadores e correu super bem, conversa em tom informal e descontraída, mas tocando em pontos bastante pertinentes e despertando interesses, acabamos por ficar para assistir ao espectáculo/concerto "Bayang - Sombras do Som". Mostrou o potencial artístico de muitos "não artistas" mas, a mim, soube a pouco. Espero que o trabalho não pare e fique por aqui, mas que, de forma estruturada, tenha seguimento e potencie outras formas de expressão e libertação a quem, por muitas e muitas vezes, é castrado, oprimido, reduzido.


"O gamelão, instrumento musical milenar indonésio, é o elo de união de quatro projectos que culminam neste espectáculo comum. Colectivo de percussões com uma grande diversidade de sons, o gamelão permite a obtenção de resultados artísticos e educativos muito gratificantes sem que haja necessidade de um conhecimento formal da Música. Por essa razão é usado um pouco por todo o mundo em projectos educativos. O gamelão da Casa da Música é uma aquisição recente e deverá ser, no futuro, um recurso importante nas actividades do Serviço Educativo. Neste concerto, que ganha corpo com momentos teatrais complementares, teremos oportunidade de escutar a versatilidade sonora de um instrumento que se adapta às várias necessidades dos grupos envolvidos e assistir a inovações na forma de o tocar."