quinta-feira, 8 de abril de 2010

Terra sem palavras

Ontem cinema, hoje teatro. Fui ver um espectáculo da "Assédio", um monólogo com a actriz Rosa Quiroga intitulado "Terra sem palavras". Não é o primeiro monólogo que assisto com ela (e pela Assédio) e mais uma vez saí da sala satisfeito. Desta feita a actriz interpreta uma personagem sem nome que, sozinha, questiona a produção artística, a sua própria produção, o sentido desta como reflexo de uma realidade de guerra, em K, cidade que desconhecemos mas que pode ser Kabul (ou tantas outras "for that matter"). É neste estado de espírito, reflexivo, angustiado, expectante, que encontramos a personagem e que de forma voyeurista seguimos durante 50 minutos. "Terra sem palavras" de Dea Loher, no Estúdio Zero até ao dia 11 de Abril. Não percam.

Estado de Guerra

Fui ver ontem este "Estado de Guerra", com a expectativa inerente a ver um filme vencedor dos "óscares". Tinha ido ver o "Avatar" e não estranhava que fosse esse o grande vencedor ainda que não tenha ficado fascinado pelo que admitia que pudesse ser suplantado por outra proposta. Ainda tinha ido ver outros que também por lá andavam como o "A estrada", "O sítio das coisas estranhas" e o "Um Homem Singular" mas nenhum me soava a grande vencedor. Infelizmente este também não. Não quero dizer que não tenha gostado do filme. Gostei. Gostei do facto de não ser uma ode ao "americanismo" ou ao "soldado americano" (vulgo hino ao coitadinho do desgraçadinho... pobrezinho). Gostei do modo como estava construído, da fotografia, da trilha sonora, e tudo e tudo e tudo. É dinheiro bem gasto... mas sinto falta dos verdadeiros filmes candidatos aos "óscares". Sinto falta das grandes produções. Ou do grande talento. Enfim, sinto falta da sétima ARTE.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Música no Metro

Não tenho tido muito tempo para publicar aqui no blog algumas das coisas que queria, nem sequer tenho andado tanto de metro como habitualmente para me cruzar mais do que meia dúzia de vezes com estes "concertos" que vão acontecendo pelas várias estações indicadas. Gostei da iniciativa ainda que tenha achado a música exageradamente alta (pelo menos naquelas actuações com que me cruzei) para uma estação de metro. Quando ouvi falar pela primeira vez acerca desta iniciativa fiquei com a esperança de podermos vir a ter algo de semelhante com o que acontece nas estações de metro de Paris e Nova Iorque. O conceito é diferente, é certo. Nesses casos o músico é recompensado com o que o viajante, o utilizador do sistema, quer deixar. Aqui a recompensa é a possibilidade de actuar no Porto Sounds. Ai a fama, a fama. Fica aqui a divulgação desta "Música na Rua". Enjoy!

domingo, 14 de março de 2010

Leitura(s)

Para quem acha que ler é um prazer mas que os livros estão cada vez mais caros, esta pode ser uma boa notícia. A livraria Leitura (no C.C. Cidade do Porto) tem à venda uma série de livros a preço convidativo. Eu já trouxe para casa alguns que me pareceram interessantes. Comecei por ler "Delitos de Amor" de Maria Mercè Roca, galardoado em 2000 com o Prémio Ramon Llull. Na fila de espera encontram-se "A Lâmina na Alma" de Marc Trillard, "Mulheres e Homens" de Richard Ford, "Passa lá um rio" de Norman Maclean, "Os santos inocentes" de Miguel Delibox, "O jogo da forca" de Imma Turbau e "A vida deste rapaz" de Tobias Wolff, todos eles editados pela Teorema. E tudo isto pelo total de 7.5€. Aproveitem. E boa leitura.

sábado, 13 de março de 2010

Absolut Creative House

Terminou hoje o "Absolut Creative House", um evento que acolheu no Palacete Pinto Leite (antigo Conservatório de Música do Porto) uma mostra de projectos criativos com cunho nacional. Aproximadamente 50 criações provenientes de diversas áreas como a moda, a joalharia, a fotografia, instalação vídeo, música, etc. deixaram a sua marca neste edifício que em si só já é excepcional. Um evento, promovido pelo Centro Cultural Artes em Partes em parceria com a Absolut, que na minha opinião merece sem dúvida ser repetido muito em breve. Coisas assim não podemos deixar passar em branco (em preto, em amarelo, em azul, ...) e mais importante, não podemos deixar passar, ponto. É para repetir vezes sem conta. Deixo-vos com algumas imagens.













Fotografia © Nuno Ferreira
É permitida a reprodução apenas para uso pessoal e educacional. O uso com fins comerciais é proibido.
Photography © Nuno Ferreira
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Por falar em fotografia...

Nos próximos dias vamos ter programa repleto de fotografia. Já amanhã, 25 de Fevereiro, temos a inauguração de duas exposições no Museu da Imagem em Braga, ponto de passagem obrigatório sempre que me desloco àquela cidade. Patente ao publico estará "Electricity" de António Júlio Duarte e "East Coasting" de Rodrigo Amado (na fotografia), exposições que ficarão até 28 de Março. No sábado, 27 de Fevereiro, estaremos à conversa com Maria do Carmo Serén no Centro Português de Fotografia sobre "Do 31 de Janeiro ao fim da Monarquia". No sábado seguinte, igualmente no CPF, inaugura a exposição "Lugares Alentejanos na Literatura Portuguesa". Bons motivos para sairmos de casa, pese embora a chuva e o frio que se fazem sentir lá fora.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Fantasporto

Mais um ano, mais um Fantas. Aqui está o sempre aguardado festival de cinema fantástico. Bem sei que há muito que é o Festival Internacional de Cinema do Porto, mas gosto de o recordar como de Cinema fantástico. E fantásticas eram as sessões no velho Carlos Alberto com colunas de uns dois metros para que o som chegasse ao fundo da sala. Gritos e risos nervosos misturados com gargalhadas soltas. Sangue a rodos versão ketchup. Agora a coisa é outra. O público é outro. Mas sabe sempre bem ir ao Fantas, quanto mais não seja ansiando por sentir um gostinho que me ficou na memória e insiste em permanecer. O cartaz diz 27 de Fevereiro a 6 de Março mas há programação entre o dia 22 e o dia 7. Consultem o site do festival para acompanharem a programação. Eu vou tentar não faltar.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Single Man - Um Homem Singular

Fui ver ontem este filme a convite de duas amigas com quem não estava já há algum tempo. Não sabia sequer o que ia ver. No entanto, apesar do ataque às minhas capacidades olfactivas através do cheiro a perfume que vinha da fila de trás pelo lado esquerdo e do cheiro a mcdonalds pelo lado direito e à minha audição com a respiração forte e os comentários ao filme vindos das mesmas bandas, gostei do filme. Não sei se a tradução de "single" para "singular" foi a mais apropriada e cheira-me aqui a uma opção discreta para a verdadeira temática do filme. Durante 101 minutos seguimos a história de um homem, um professor inglês a dar aulas nos EUA que recebe a notícia da morte do seu companheiro de 16 anos. Ora se a questão ainda é sensível nos nossos dias imaginem nos anos 60 de uma América que vive com medo da própria sombra (em plena crise dos mísseis de Cuba). O filme desenvolve-se com alguns flashbacks da relação de George (Colin Firth) e Jim (Matthew Goode) e com o desenrolar de um dia que podia ser apenas mais um igual a tantos outros mas que era aquele em que George tinha decidido terminar com a vida. A intrometer-se nos planos temos Charley (Julianne Moore), a amiga e confidente que em tempos podia ter sido algo mais, e o jovem aluno de George, Kenny (Nicholas Hoult). Gostei bastante da interpretação de Colin Firth e de Julianne Moore, actores seguros e de méritos reconhecidos. Gostei também do jovem Nicholas Hoult que deixou-me com a sensação de o conhecer de qualquer outro filme e que ao chegar a casa confirmei ser do "About a Boy" com o Hugh Grant. Digamos que já não é nenhum "boy". Uma promessa para o futuro por certo. Não conto mais do filme para não perder piada, mas recomendo vivamente.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Os segredos da Capela Sistina

Oferecido pela minha querida amiga Elsa pelo meu aniversário do ano passado, só agora consegui pegar neste "Os segredos da Capela Sistina - As mensagens proibidas de Miguel Ângelo no coração do Vaticano". Ainda estou no início do livro mas já deu para perceber que os autores, Benjamim Blech e Roy Doliner, apresentam aqui uma proposta para interpretarmos os trabalhos da capela pelo prisma, possível, de neles estarem presentes referências ao judaísmo e de algum modo, assim, conseguirem criticar o papado de Sisto IV. Conhecido pelo meu cepticismo, tenho alguma dificuldade em aceitar de imediato teorias que dificilmente são confirmadas ou que no mínimo facilmente encontramos elementos para avançarmos pelo caminho oposto. Ainda assim é um exercício interessante para se fazer, em especial para quem deve manter o espírito aberto, até porque nesta área nada é certo. E sempre me deixa a pensar quando é que vai dar para ir a Roma... bora lá?

domingo, 17 de janeiro de 2010

Espacio Atlántico

Acabei de chegar de Vigo onde visitei a Espacio Atlántico, a nova feira de arte contemporânea que, neste novo modelo reuniu meia centena de galerias espanholas e portuguesas. Não sei se a feira correu bem no campo que interessa às galerias (as vendas), mas de certeza que correu bem para os artistas e principalmente para que a visitou. Gostei bastante do que vi, uma feira bem organizada, stands de tamanho considerável, adequados à exposição de diferentes tipos de trabalhos, sem aquele tipo de música ambiente irritante, característico de feiras, bons artistas e bons trabalhos. Para além dos trabalhos que partilho aqui, alguns dos que me chamaram mais à atenção, fiquei bastante agradado com a presença de alguns trabalhos de fotógrafos que sigo, Robert Mapplethorpe, Nan Goldin, Ellen Kooi, Paulo Nozolino, ...
Fiquem com algumas imagens.






Adriana Lopez Sanfeliu - Títulos vários; Fotografia gelatina de prata, 2007.
Paola de Grenet - Série "Albino Beauty"; Títulos vários; Fotografia lambda cor.


Samuel Salcedo - "Night"; Resina de poliester, pó de alumínio e ferro; 2010.
Efraïm Rodriguez - "Martí"; Madeira de sicómoro pintada; 2009.


Marcos Juncal - "Chupe-tin" e "Montando a Paco"; 2009.
Albuquerque Mendes


Marc Quintana - "Solo Project".
Pilar Alonso - "Desencanto"; Aguarela sobre seda montada em madeira; 2009.


Pamen Pereira - "This is a love story"; Botas e borboletas de madeira; 2009.
Miguel Soares - "Leon Night; Luz Neon; 2007


Jose Freixanes - "Los que veranean"; Técnica mista sobre tela, 2007.
Starsky Brines


José de Guimarães
José de Guimarães


Lino Lago - S/T; Óleo sobre tela; 2010.
Lino Lago - S/T; Óleo sobre tela; 2010.

Fotografia © Nuno Ferreira
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Photography © Nuno Ferreira
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

E o Nun'Álvares volta à vida

Ainda há pouco tempo tinha estado aqui a escrever sobre a saída da Medeia Filmes do cinema Nun'Álvares quando descobri que este tinha voltado há vida pelas mãos da Malayka Filmes e Elias Macovela, o empresário por trás disso tudo, ligado também à Pantheon Entertainments. Espero realmente que o projecto tenha sucesso e que o Nun'Álvares possa ter muitos mais anos de vida. A sala mantêm-se igual, mas o sistema de som e de projecção está completamente renovado pelo que pude perceber. Aliás, a sala tem 3D. O filme de estreia é nada mais nada menos que o AVATAR de James Cameron e sinceramente, fiquei bastante satisfeito coma qualidade da projecção, do som, dos óculos, de tudo. E o melhor foi ter a sala só para mim. Sei que isso não é bom para o negócio e espero ver cada vez mais gente nas sessões, mas confesso que ver o AVATAR, no Porto, em 3D, com a sala só para mim era coisa que não me passava pela cabeça. Para além de filmes mais "comerciais", o novo Nun'Álvares promete uma programação igualmente preenchida por cinema alternativo, seja independente, europeu ou afins. Aguardo com expectativa a programação que se segue.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Sítio das Coisas Selvagens

Que belo começo de ano aqui para o aRT alonG the aGes. Hoje, depois de um exame de Gestão do Património, e um breve salto à Casa Oficina António Carneiro, apeteceu-me enfiar-me numa sala de cinema. Não podia ter feito melhor. A escolha entre as estreias do dia recaiu neste "O Sítio das Coisas Selvagens". Simplesmente fabuloso. Para começar, a banda sonora por Karen O and the Kids acompanha-nos do inicio ao fim do filme e é genial. Fez-me pensar no tempo em que eu vibrava com as "original sound tracks" dos filmes que via. Deixei-me disso nos últimos tempos, mas esta fez-me querer comprar o CD. Depois temos Max Records no papel de "Max", o protagonista do filme e único actor de carne e osso no ecran durante a maior parte do tempo. Uma interpretação segura, sem nada a apontar. Os "seres" que ele encontra numa ilha, o sítio das coisas estranhas, são realmente interessantes e após os primeiros minutos que necessitamos para nos habituar-mos a eles, um misto de muppets e animatronics, surgem-nos como seres reais, que respiram, que sentem, que amam e sofrem. Fazem-me querer que nunca se perca esta forma linda de fazer animação. O digital é fabuloso mas aqui sinto magia a acontecer. A relação destes "seres" com Max, não me parece ser mais do que um "loop" dos primeiros 10 minutos do filme e do que ele experimentou na "vida real". Mas isso só descomplica o filme e permite-nos baixar as defesas e viver a estória. Permite-nos criar uma relação de empatia com a complexidade de sentimentos e estados emocionais que precipitam-se para um "angst" crescente e a inevitável ruptura de forma a fazer-nos avançar e levar Max de volta a casa. O momento da partida de Max da ilha é sem dúvida emocionalmente gritante, em toda a acepção da palavra, e não resisti a permiti-me partilhar a dor daqueles uivos, num lamento profundo de Carol, uma das personagens fantásticas, que não é mais do que o espelho de Max naquele mundo. Emocionei-me e não tenho vergonha de o dizer. Resumindo, o filme é delicioso ainda que agridoce. No fundo é aquele "bitter-sweet" que eu gosto. Bem realizado, excelente fotografia, boa música, tudo bom. A não perder.



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Paulo Branco présente

Paulo Branco présente... com estas três palavras começa este "post", assim como o trailer do filme "Cinzas e Sangue" que marca a estreia de Fanny Ardant como realizadora. Ainda não vi o filme, mas estou cheio de curiosidade. Estará nos cinemas a 7 de Janeiro de 2010 e espero conseguir vê-lo sem dificuldade, já que tem sido difícil ver cinema de qualidade no Porto. A ante-estreia do filme realizou-se em Lisboa, aquando da celebração dos 20 anos da Medeia Filmes, em virtude de Paulo Branco ter "arriscado" a sua produção. Com passagem pelo festival de Cannes, este filme parece ser bem interessante. Mas não é sobre o filme que quero escrever. É sobre Paulo Branco e sobre a Medeia, portugueses a trabalhar numa área frágil mas com um rumo. Sabem o que querem e perseguem-no Não queria acabar 2009 sem uma nota positiva, pelo que esta produção portuguesa apresenta-se como uma excelente oportunidade para a fazer. Parabéns ao Paulo Branco pela força e a coragem de apostar em cinema, em "films" em vez de "movies". Parabéns à Medeia pelo excelente trabalho na divulgação do bom cinema por terras lusas. Numa nota paralela, fica o pedido para uma dinamização mais forte por terras nortenhas. Os cinemas Cidade do Porto apresentam uma dificuldade que é a de lutar com o conceito mercantilista de um centro comercial, é certo, mas há tantos cinemas abandonados no Porto que podiam ser aproveitados pela Medeia para coisas bem mais bonitas do que o destino incerto que os espera. A sala no Teatro Campo Alegre não é atractiva (eu próprio só fui lá uma vez, ao contrario do que acontecia com o Nun'Alvares onde acompanhava regularmente a programação) pelo que deviam considerar fortemente uma alternativa. Actualmente fala-se de uma possível saída da Associação de Comerciantes do Cinema Batalha. Porque não fazem uma proposta à CMP para ocupação e dinamização daquele espaço? É central, tem enormes potencialidades (bar e restaurante), duas salas para projecção, etc. Ideias minhas...