quinta-feira, 22 de julho de 2010

Viana do Castelo - Citânia de Santa Luzia

No Monte de Santa Luzia, sobranceiro à cidade de Viana do Castelo, encontram-se os vestígios de uma citânia da Idade do Ferro (séculos VII a III a.C.) classificada como Monumento Nacional. A sua estratégica localização conferia-lhe o domínio de grandes áreas circunvizinhas em especial do estuário e foz do Rio Lima e da costa atlântica adjacente, possibilitando assim condições únicas de defesa, seja pelo controlo dos caminhos e vales, como pelo controlo da navegação marítima e fluvial.
Não obstante a sua origem pré-latina, a Citânia de Santa Luzia terá registado o período de maior esplendor durante a fase inicial da ocupação romana, mantendo-se habitada até ao séc. V. Esta cronologia relativa é fundamentada no espólio que sucessivas escavações arqueológicas puseram a descoberto, com realce para um pequeno tesouro de moedas datadas de entre o ano 330 e 408.
A Citânia de Santa Luzia é ainda marcada por interessantes e pouco vulgares habitações de pedra. Estruturalmente, estas casas apresentam um raro e bem talhado aparelho poligonal, desenhando uma esbelta planta circular com vestíbulo ou átrio, conservando ainda em alguns exemplares os fornos de cozer pão. Esta disposição encontra paralelos construtivos e funcionais com outras habitações castrenses coetâneas da Galiza, particularmente com as que integram o Castro do Monte de Santa Tecla, situado na foz do Rio Minho.
Estas ruínas, conhecidas também como "Cidade Velha de Santa Luzia", são conhecidas, pelo menos, desde o séc. XVII. As primeiras escavações datam de 1876 (levadas a cabo por Possidónio da Silva) mas o conjunto urbanístico e arquitectónico hoje visível deve-se ao trabalho arqueológico efectuado em 1902 por Albano Belino.
O acesso à citânia é relativamente simples, encontrando-se a entrada contornando pela direita a Basílica de Santa Luzia e o Hotel com o mesmo nome. A entrada custa 1.5€ (mais 1€ se quisermos a brochura informativa). Está aberta ao publico de terça-feira a domingo entre as 10:00-12:00 / 14:00-17:00 (horário de inverno - out/mar) ou entre as 09:00-12:00 / 14:00-18:00 (horário de verão - abr/set).
Podem ver aqui algumas imagens.













Fotografia © Nuno Ferreira
É permitida a reprodução apenas para uso pessoal e educacional. O uso com fins comerciais é proibido.
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Viana do Castelo - Antigos Paços do Concelho

Construído entre finais do séc. XV e inicio do séc. XVI, este edifício surge após o antigo lugar de reunião ter sido ocupado pela Igreja de Santa Maria Maior. É um edifício de granito com dois pisos e coroado por ameias. A vereação reunia no piso superior ficando reservado o térreo para abrigo dos escribas que ali redigiam requerimentos e outros documentos destinados à Câmara. A reconstrução realizada manteve-lhe dois arcos góticos e rasgou entre estes um outro de vão mais estreito, local onde, em meados do séc. XVI fora implantada uma porta de aros almofadados. A planta baixa está assim formada por um alpendre com três arcos ogivais e a planta superior tem três janelas com varanda de ferro. Sobre a janela central estão esculpidos o escudo real, uma esfera armilar e um veleiro, símbolo de Viana do Castelo. Encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 1910.
Neste momento o edifício é utilizado como espaço expositivo, encontrando-se patente ao público duas exposições. No piso térreo e até 31 de Julho temos uma exposição organizada pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo intitulada "Máquinas e ferramentas do Passado". No piso superior está disponível para visita, até ao próximo dia 1 de Agosto, uma exposição de pintura da artista plástica Armanda Passos.
Apresento-vos aqui algumas imagens das exposições.











Fotografia © Nuno Ferreira
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Viana do Castelo - Navio Gil Eannes

Na recente passagem por Viana do Castelo visitei o Navio-Hospital Gil Eannes, um navio construído em 1955 para apoiar a frota bacalhoeira que operava nos bancos da Terra Nova e Gronelândia. Desde que o Navio Gil Eannes foi colocado em exposição a Fundação Gil Eannes tem tido como objectivo transformar o navio num espaço museológico, contribuindo desse modo para o desenvolvimento cultural, turístico e científico, tendo recebido desde 1998 cerca de 400.000 visitantes. As visitas podem ser feitas todos os dias entre as 09:00 e as 19:00 (17:30 no horário de Inverno - Out/Mar) e têm um custo de 2€ (grátis até aso 6 anos). Podem visitar o sítio da fundação através deste link. Estão disponíveis visitas guiadas para grupos, sujeitas a marcação. Parte do navio é ainda utilizado como pousada da juventude, pelo que quem desejar passar pela experiência de dormir no Gil Eannes pode-o fazer necessitando apenas de fazer a reserva através da Movijovem e possuir o cartão de alberguista.
Algumas áreas do navio necessitam de intervenção, facto facilmente verificável. Já sabemos que a recuperação e manutenção de um navio como aqueles não é fácil nem barata. Talvez com a angariação de alguns mecenas que se responsabilizassem pela recuperação de uma sala fosse possível agilizar mais rapidamente esse processo, mas infelizmente ainda não temos muito essa tradição. Ainda assim, a visita ao navio é agradável e bastante interessante. Algo impressionante é a visita ao bloco operatório. Não podemos deixar de pensar nas pessoas que por lá passaram no âmbito da actividade do navio-hospital, nos homens gravemente feridos, nas vidas que se perderam mas também nas muitas que se salvaram.
Deixo-vos com algumas imagens.

















Fotografia © Nuno Ferreira
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sábado, 17 de julho de 2010

II Concurso Nacional "Melhor Blog sobre Animação Sociocultural 2010"

Como no ano anterior, o blog aRT alonG the aGes participa no Concurso Nacional "Melhor Blog sobre Animação Sociocultural 2010". Agradeço todo o Vosso apoio para a eleição deste blog como o melhor na categoria individual. Só têm de seguir este link e registarem-se para votar. Ao mesmo tempo podem ficar a saber as novidades da APDASC, entidade promotora do concurso. Obrigado a todos/as.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Paulo Nozolino - A renúncia

Antes de mais, quero apenas dizer uma coisa: BRAVO!!
Soube hoje que o fotografo português Paulo Nozolino, de reconhecida carreira e talento, renunciou publicamente o Prémio AICA - Associação Internacional de Críticos de Arte, que lhe foi atribuído no passado dia 29 de Junho, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. E depois de ler o comunicado divulgado pela Quadrado Azul, a Galeria que o representa, fico ainda mais surpreso por ainda haver neste país pessoas de coragem e cujos atentados à honra lhes fazem ferver o sangue. Como adepto da fotografia, já tinha o Paulo Nozolino como uma das referências visuais. Hoje passo a tê-lo como referência de Homem. Não acrescento mais nenhuma palavra. O comunicado do "premiado" é suficiente e passo a transcrevê-lo.

"Recuso na sua totalidade o Prémio AICA/MC 2009 em repúdio pelo comportamento obsceno e de má fé que caracteriza a actuação do Estado português na efectiva atribuição do valor monetário do mesmo. O Estado, representado na figura do Ministério da Cultura (DGARTES), em vez de premiar um artista reconhecido por um júri idóneo pune-o! Ao abrigo de “um parecer” obscuro do Ministério das Finanças, todos os prémios de teor literário, artístico e científico não sujeitos a concurso são taxados em 10% em sede de IRS, ao contrário do que acontece com todos os prémios do mesmo cariz abertos a candidaturas.
A saber: Quem concorre para ganhar um prémio está isento de impostos pelo Código de IRS. Quem, sem pedir, é premiado tem que dividir o seu valor com o Estado!
Na cerimónia de atribuição do Prémio foi-me entregue um envelope não com o esperado cheque de dez mil euros, como anunciado publicamente, mas sim com uma promessa de transferência bancária dessa mesma soma, assinada por Jorge Barreto Xavier, Director Geral das Artes. No dia seguinte, depois do espectáculo, das luzes e do social, recebo um e-mail exigindo-me que fornecesse, para que essa transferência fosse efectuada, certidões actualizadas da minha situação contributiva e tributária, bem como o preenchimento de uma nota de honorários, onde me aplicam a mencionada taxa de 10%, cuja existência é justificada pelo Director Geral das Artes como decorrendo de um pedido efectuado por aquela entidade à Direcção-Geral dos Impostos para emitir “um parecer no sentido de que, regra geral, o valor destes prémios fosse sujeito a IRS”.
Tomo o pedido de apresentação das certidões como uma acusação da parte do Estado de que não tenho a minha situação fiscal em dia e considero esse pedido uma atitude de má fé. A nota de honorários implica que prestei serviços à DGARTES. Não é verdade. Nunca poderia assinar tal documento.
Se tivesse sido informado do presente envenenado em que tudo isto consiste não teria aceite passar por esta charada.
Nunca, em todos os prémios que recebi, privados ou públicos, no país ou no estrangeiro, senti esta desconfiança e mesquinhez. É a primeira vez que sinto a burocracia e a avidez da parte de quem pretende premiar Arte. Não vou permitir ser aproveitado por um Ministério da Cultura ao qual nunca pedi nada. Recuso a penhora do meu nome e obra com estas perversas condições. Devolvo o diploma à AICA, rejeito o dinheiro do Estado e exijo não constar do historial deste prémio.

Paulo Nozolino
1 de Julho de 2010"

sábado, 26 de junho de 2010

Porto - Museu Romântico da Quinta da Macieirinha

Hoje vou aproveitar a oportunidade para vos falar um pouco do Museu Romântico da Quinta da Macieirinha. Tive recentemente a oportunidade de voltar a este espaço fabuloso, em pleno coração da cidade do Porto, devido ao pedido de colaboração de uma amiga num projecto que mais tarde divulgarei aqui. Inaugurado em 1972, este museu recria ambientes do século XIX, ligados ao romantismo e à cidade do Porto. A casa, do século XVIII, tem vistas amplas sobre o rio Douro e situa-se nas imediações do Palácio de Cristal, podendo ser inclusivamente acedida através deste. Nas proximidades podemos ainda encontrar a Casa Tait e o Solar do Vinho do Porto. A Quinta de Sacramento ou das Macieiras onde está instalado o Museu, sabe-se que pertencia em 1849 à família Pinto Basto, antigos proprietários da Vista Alegre. Motivo de interesse é o facto do Rei Carlos Alberto do Piemonte (Sardenha, Itália) ter nela permanecido,em 1849, no seu brevíssimo tempo de exílio em Portugal, entre 14 de Maio e 28 de Julho, data da sua morte.
Passados mais de cem anos, a Câmara Municipal do Porto, que entretanto adquirira a casa e terrenos, decide instalar ali o Museu Romântico, dedicando-o à memória do Rei e à burguesia do Porto, que teve um papel preponderante no século XIX, no campo cultural, político e económico.
Naquele espaço podemos encontrar alguns ambientes recriados tais como os da entrada, da sala de visitas e da sala de jantar, uma sala de bilhar, a sala Romântica, o gabinete do coleccionador, uma capela, um quarto de vestir e um quarto de dormir, um quarto de criança e uma sala de baile.
Deixo-vos com algumas imagens para vos aguçar a curiosidade.



















Fotografia © Nuno Ferreira
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sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago

Última hora: Morreu José Saramago. Foram estas as palavras no ecrã de uma televisão muda que, correndo ao longo do monitor, informavam quem ali estava da notícia da morte do escritor. E não queria deitar-me sem escrever aqui algumas palavras de pesar. Saramago entrou na minha vida alguns anos após a entrada na vida de muitos portugueses aquando do infeliz incidente "Sousa Lara". Infelicidades à parte, lembro-me de ter arriscado ler "O Memorial do Convento" alguns anos depois, teria eu uns 18 anos, mais ano, menos ano. E lembro-me de ter gostado muito. Confesso que lutei com as primeiras 10 páginas, mas depois deixei-me levar pela estória, pelas personagens, por Saramago. Foi como o entrar numa Catedral, em que os primeiros instantes são de escuridão até nos habituarmos à luz reduzida, para depois nos maravilharmos com o interior majestoso, com a talha dourada, com os vitrais, com as esculturas, com o silêncio e com os ruídos. Acho que os livros de Saramago também vivem de silêncios e de ruídos.
Tive apenas o prazer de o ver uma vez, em terras americanas, por estranho que pareça. Saramago andava por lá em apresentação do "Todos os Nomes", recém traduzido para inglês, alguns anos após o Nobel. E o auditório estava cheio. De pé encostado à parede atrás da última fila segui a conferência num misto de matar saudades de casa e recordar o livro lido pouco tempo antes. Aliás, "Todos os Nomes" foi o segundo livro que li dele. Muitos me faltam ler. Tempo haverá para isso. Saramago é intemporal pelo que, se tiver que ser, hei-de acabar de o ler aos 87, a idade do escritor à data da sua morte. Até sempre Saramago. Não é um adeus, pois Saramago existirá sempre em cada página da sua obra.