domingo, 5 de setembro de 2010

Porto - Sé Catedral

Confesso que já tardava uma visita a sério à Sé Catedral do Porto. Este fim-de-semana arrumei com a questão e ainda bem que o fiz. Que belo espaço aquele. O início da sua construção data da primeira metade do século XII, anterior mesmo à nacionalidade portuguesa, e prolongou-se até ao princípio do século XIII. O edifício, em estilo românico, foi sofrendo muitas alterações ao longo dos séculos. Da época românica datam o carácter geral da fachada com as torres e a rosácea, além do corpo da igreja de três naves coberto por abóbada de canhão. A abóbada da nave central é sustentada por arcos botantes, sendo a Sé do Porto um dos primeiros edifícios portugueses em que se utilizou esse elemento arquitectónico. Uma chamada de atenção é necessária para a associação ao Gótico, até porque o estilo entra tardiamente em terras ibéricas, permanecendo até bem mais tarde do que no resto da Europa. Na época gótica construiu-se a capela funerária de João Gordo, cavaleiro da Ordem dos Hospitalários e colaborador de D. Dinis. Igualmente Gótico temos o claustro (séc XIV-XV), construído no reinado de D. João I e que viria a casar com D. Filipa de Lencastre na Sé do Porto em 1387. O exterior da Catedral sofre inúmeras modificações na época Barroca. Por volta de 1772 construiu-se um novo portal em substituição do românico original. As balaustradas e cúpulas das torres são igualmente barrocas. Cerca de 1736, o arquitecto italiano Nicolau Nasoni adicionou uma esplêndida galilé barroca à fachada lateral.
Avançando para o interior da igreja, à esquerda da capela-mor encontra-se um magnífico altar de prata, construído na segunda metade do século XVII. No século XVII a capela-mor original, românica (que era dotada de um deambulatório), foi substituída por uma maior em estilo barroco. O altar-mor, construído entre 1727-1729, é uma importante obra do barroco joanino, projectado por Santos Pacheco e esculpido por Miguel Francisco da Silva. As pinturas murais da capela-mor são de Nasoni. O transepto sul dá acesso aos claustros do século XIV e à Capela de São Vicente. Uma graciosa escadaria do século XVIII de Nasoni conduz aos pisos superiores, onde os painéis de azulejos exibem a vida da Virgem e as Metamorfoses de Ovídio.
Deixo-vos com um pequeno vídeo que montei com alguns apontamentos do espaço e com as imagens da praxe.





Capela-Mor


Altar de Prata


Capela S. João Batista


Claustro


Sacristia


Sacristia


Capela de S. Vicente


Capela de S. Vicente | Jesus entre os Doutores
Capela de S. Vicente | Última Ceia


Capela de S. Vicente


Capela de S. João Evangelista


Sino do Relógio da Cidade (1697 - Manuel Ferreira Gomes)


Sala Capitular (tecto)


Sala Capitular | Maria com o Menino Jesus - séc. XVII (detalhe)
Sala Capitular | Senhora da Natividade - séc. XVII (detalhe)


Ante-Cabido | Anjo Gabriel (detalhe)
Ante-Cabido | Santo António com o Menino (detalhe)


Tesouro | Custódia
Tesouro | Custódia + Carneiro Místico


Tesouro

Fotografia & Vídeo © Nuno Ferreira
É permitida a reprodução apenas para uso pessoal e educacional. O uso com fins comerciais é proibido.
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Porto - Jardim do Palácio de Cristal

Continuando a temática dos jardins é chegada a hora de falar um pouco do Jardim do Palácio de Cristal, tal como havia prometido aquando do post sobre o Jardim de Serralves. Pois então, no Palácio de Cristal, bem no centro do Porto junto ao Museu Soares dos Reis, Quinta da Macieirinha, Casa Tait, Solar do Vinho do Porto e Caminhos do Romântico, podemos desfrutar de um (vários para ser mais exacto) esplêndido jardim, cheio de espaços deliciosos, plantas e animais, um verdadeiro oásis num espaço urbano cada vez mais caótico. É claro que, para quem lê esta entrada no blog e não conhece a cidade nem aquele espaço, ler sobre o Palácio de Cristal e não ler nenhuma menção a um palácio pode ser estranho. Não é. O nome chega aos nossos dias depois dali ter existido, de facto, um palácio construído em granito, ferro e vidro, da autoria de Thomas Dillen Jones e inspirado no Crystal Palace londrino. Inaugurado em 1865, o Palácio de Cristal foi demolido em 1951 para dar lugar ao Pavilhão dos Desportos, hoje Pavilhão Rosa Mota, um dos maiores erros arquitectónicos cometidos na cidade do Porto, aliás, no país inteiro. E com isso não quero dizer que o actual Pavilhão Rosa Mota não seja, ele próprio, uma bela obra de arquitectura. Mas esta é uma questão para debatermos mais tarde.
Voltemos então à actualidade. A área ocupada pelo Palácio de Cristal engloba assim os jardins, o Pavilhão Rosa Mota, a Biblioteca Almeida Garrett (e respectivo Auditório e Galeria do Palácio), bem como uma série de estruturas de apoio às actividades educativas e lúdicas ali realizadas. Ao entrarmos no Jardim pelo portão principal imediatamente encontramos-nos num espaço amplo, ajardinado, com 3 fontes e várias peças de estatuária. Ao fundo é visivel o Pavilhão Rosa Mota e se cortarmos à direita chegamos facilmente à Avenida das Tílias e à agora existente Biblioteca Almeida Garrett. Percorrendo a Avenida das Tílias vamos ainda encontrar do lado direito a Concha Acústica, e do esquerdo o lago. Avançando mais um pouco e do lado direito, um belíssimo miradouro sobre o Rio Douro e a Ponte da Arrábida, e do esquerdo a Capela de Carlos Alberto da Sardenha, do qual já havíamos falado. Aqui, podemos avançar para os níveis inferiores do terreno. Como já tinha dito, este Jardim não é um jardim mas vários. Aqui podemos encontrar o Jardim do Roseiral, o Jardim das Plantas Aromáticas, o Jardim das Medicinais, o Jardim das Cidades Geminadas e o Jardim dos Sentimentos, onde se encontra a estátua "Dor" de Teixeira Lopes, isto sem contar com o Bosque , o Castelo e a Avenida dos Castanheiros-da-Índia. Ao percorrer todos estes espaços somos ainda surpreendidos por fontes, algumas retiradas dos seus locais de origem e ali conservadas, tais como o Fontanário dos Antigos Paços do Concelho que se situavam na antiga Praça Nova, a actual Praça da Liberdade, e a Fonte da Rua de S. Jerónimo, a actual Rua de Santos Pousada. E claro, não podia terminar sem comentar o que realmente ali merece destaque. As plantas e os animais. São inúmeros os exemplares de plantas e árvores que ali encontraram espaço para crescer, e, não existindo mais o mini-zoológico que ainda lembro vagamente (já em fase decadente), os animais que livremente deambulam pelo espaço aberto, patos, galinholas e garnisés, coelhos e pavões, todos fazendo companhia às já habituais pombas e gaivotas, presenças constantes da urbe invicta.



















Fotografia © Nuno Ferreira
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