sábado, 22 de janeiro de 2011

Museu Colecção Berardo: A Culpa Não É Minha - Obras da Colecção António Cachola

Termina amanhã no Museu Colecção Berardo a exposição "A Culpa Não É Minha - Obras da Colecção António Cachola". A Colecção António Cachola em depósito no Museu de Arte Contemporânea de Elvas, desde 2007, é apresentada pela primeira vez em Lisboa. Confrontando o entendimento das diferentes linguagens e tempos através de uma selecção de uma centena de obras, o comissário, Eric Corne, procura dar a conhecer a sua perspectiva do panorama artístico contemporâneo português por via desta emblemática colecção iniciada em 1990 e que conta já com cerca de 400 obras. Tive a oportunidade de visitar esta exposição há cerca de uma semana, pelo que vos deixo com algumas imagens captadas no local.


João Tabarra - O Encantador de Serpentes (2007)
Projecção vídeo, cor, s/ som, 16:9
José Maçãs de Carvalho - Striptease as Textuality (2001)
Projecção vídeo, cor, som, 4:3


João Pedro Vale - A Culpa Não é Minha (2003)
Ferro e Corda
João Louro - Dead End #2 (2001)
Painéis Metálicos


Augusto Alves da Silva - 3.16 (2003)
Série de 11 Fotografias
Luís Campos - Sem Título (1994)- Série "Transurbana"
C-Print, Cibachrome, Tríptico


Ângela Ferreira - Marquise + 3 Fotografias (1993) (detalhe)
Alumínio, plexiglax, PVC, 3 fotografias c-print, cibachrome
Rui Chafes - Febre I (1997)
Ferro


Vasco Araújo - Diva, a Portrait (2000)
Instalação: Tocador, roupas com suporte, objectos vários, flores frescas, 16 fotografias a preto e branco
Pedro Cabrita Reis - Ala Norte (2000)
Alumínio e Acrílico sobre Madeira, Lâmpadas Fluorescentes


Nuno Cera - Sem Título #1 (2000) - Série DK
Lambda sobre Diasec
André Gomes - II Cenas da Vida Libertina (1994) - Série "A Carreira do Libertino"
8 Fotografias de um total de 24, Polaroid-Fujichrome


João Maria Gusmão & Pedro Paiva - A Mola Paleolítica (2006)
C-Print
Gil Heitor Cortesão - Atrás do Vulcão #6 (2009)
Óleo sobre plexiglas


João Queiróz - Sem Título (1998)
Óleo sobre linho
Tiago Batista - Sem Título
Acrílico sobre papel

Fotografia © Nuno Ferreira
É permitida a reprodução apenas para uso pessoal e educacional. O uso com fins comerciais é proibido.
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Fonte Stravinsky

Quem visita Paris e o Centro Pompidou não pode deixar de ver a Fonte Stravinsky, situada na lateral esquerda do Centro, entre este e a Igreja de Saint-Merri. A fonte, com 580 metros quadrados, integra 16 esculturas da autoria de Jean Tinguely (elementos metálicos pretos) e de Niki de Saint Phalle (elementos coloridos) inspiradas na obra de Stravinsky, a Sagração da Primavera. Toda a fonte é construída com materiais leves sendo a base de aço inoxidável e as esculturas feitas a partir de plásticos e outros materiais leves. A fonte situa-se por cima das instalações do Instituto de Pesquisa e Coordenação de Acústica/Musica, uma organização dedicada à promoção de música e musicologia. Foi o seu fundador, Pierre Boulez, que sugeriu a obra de Stravinsky como tema para a fonte.
A Fonte Stravinsky faz parte de um projecto lançado pela Câmara de Paris em 1978 para construir um conjunto de sete fontes contemporâneas. Esta obra em particular é anunciada em 1981, pelo presidente da Câmara, Jacques Chirac com um orçamento que rondou os 5 milhões de francos. Com a direcção artística de Jean Tinguely, a obra deveria contar apenas com as suas esculturas negras, mas em Maio de 1982, Tinguely pede para incluir os trabalhos coloridos de Niki de Saint Phalle, mulher de Tinguely, o que provoca alguma preocupação com o facto destas últimas obras poderem ofuscar as peças negras de Jean Tinguely, sendo então acordada a inclusão de apenas quatro ou cinco obras de Niki de Saint Phalle.
A obra é inaugurada a 16 de Março de 1983.


Fonte Stravinsky, Paris - França


Fonte Stravinsky, Paris - França


Fonte Stravinsky, Paris - França

Fotografia © Nuno Ferreira
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sábado, 6 de novembro de 2010

Primeiras Luzes




Inauguração: 02/12/2010 - 18:00
Exposição: 03/12/2010 a 31/12/2010 - 10:00/13:00 e 14:00/18:00
Galeria Itinerante
Espaço T
Rua Infante D. Henrique, 246/248
Trofa, Portugal



Inauguração: 03/02/2011 - 21:00
Exposição: 04/02/2011 a 23/02/2011 (2ª a 6ª) - 10:00/19:00
Palácio das Artes - Fábrica de Talentos
Fundação da Juventude
Largo de S. Domingos, 16/22
Porto, Portugal



Deus disse: Haja luz. E houve luz. E Deus viu que a Luz era boa. E fez a separação entre luz e trevas.

Desde os primórdios do tempo que o Homem procura na luz a segurança, um consolo que preencha o vazio, uma resposta a uma pergunta por vezes não pronunciada. A primeira centelha de luz terá sido produzida no início de tudo, no meio do caos, num Universo que começava a compor-se e a organizar-se, como se a luz estivesse ali para dar-lhe um sentido, um caminho a percorrer. E com a luz, as cores, numa explosão de luz branca que aos poucos se estilhaça num infinito de matizes, num infinito condizente com o espaço e o tempo. Tempo que, num plano perfeito, dirige-se a nós, dando sentido a tudo o que existiu anteriormente. Nós. Eu. Você. Aquilo que valida tudo o que nos antecede. Tudo se organizou para chegar até aqui. A um determinado momento.

Ainda como formas de vida intra-uterinas começamos a percepcionar luz e cor. Predomina os vermelhos, quentes, apropriados ao útero, também ele quente, protector. Ao nascer, tal como no início de tudo, uma explosão de luz, fria, avassaladora, dá lugar, pouco a pouco, a uma imensidão de cores, sombras, imagens indefinidas, num êxtase sensorial que há-de começar a fazer sentido.

A fotografia nem sempre respeita uma ordem para que faça sentido. Mas se há algo incontornável na fotografia é a luz. Sem ela a fotografia não existe. Seria possível olharmos para uma fotografia que não tivesse no mínimo um ponto, ainda que ínfimo, de luz? Não seria isso a negação da própria fotografia?

O que se procura aqui não é a captura de imagens definidas ou perfeitas mas antes o ganhar consciência sobre a matéria comum à prática fotográfica. Como uma criança que começa a descobrir o que a rodeia. Aqui a ausência de formas e referências permite-nos centrar naquilo que era pretendido. Permite-nos olhar para uma cor e para a forma como esta se relaciona com uma outra, e outra ainda, como se mistura e se transforma. Vivemos tão rodeados de cor que já não a sentimos como tal. Um carro vermelho, um prédio amarelo, um casaco azul… são apenas adjectivos que se ligam a coisas. Mas um carro não deixa de ser um carro independentemente de ser vermelho ou amarelo ou azul. Mas o vermelho é vermelho, o amarelo é amarelo e o azul é azul independentemente se o são de facto. Aquilo que é vermelho para mim poderá não o ser para outro. E é também por isso é que a fotografia nunca deixa de ser algo pessoal, e a forma como escrevemos essa fotografia tão única como um texto manuscrito, com corações a fazer de pontinhos nos “is” ou qualquer outra marca que torna a nossa caligrafia diferente das outras.

“Primeiras Luzes” é o produto de um trabalho de pesquisa e experimentação, onde a luz e a cor são matéria-prima.

Nuno Ferreira, 2010.


Nota Biográfica
Nuno Ferreira nasceu no Porto em 1975. Na área da fotografia tem desenvolvido e colaborado em diversos projectos dos quais se destaca a participação em exposições colectivas (NFN, 2002-2005), publicações e colaboração em edições (Linguagem da Luz, 2001; Revista Águas Furtadas; Revista Espaço Con(tacto)), coordenação de exposições (KID5, 2001; Portugal Contemporâneo, 2002), edição fotográfica (Jornal Universitário do Porto, 2003-2004), reportagens fotográficas (Festival de Trebilhadouro, 2005, 2007 e 2009), entre outros. Tem vindo ainda a ministrar formação em fotografia na instituição Espaço T.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Braga - Termas romanas do Alto da Cividade

Faz este mês um ano que, em passagem por Braga, visitei as termas romanas do Alto da Cividade (Monte de Maximinos) onde, em 1977, escavações efectuadas puseram a descoberto as ruínas de umas termas públicas junto ao fórum da antiga cidade romana de Bracara Augusta.
A área escavada das termas ocupa cerca de 850m². No entanto, estas termas eram maiores como se pode ver pela presença do hipocausto e piscina, localizados a sul, separados do restante corpo do edifício por um corredor estreito. De acordo com o espólio encontrado, foram construídas nos finais do séc. I (período Flaviano), restando desta fase o testemunho das quatro salas quentes cujos hipocaustos se encontram relativamente bem conservados. Não se conseguiu ainda definir o seu circuito interno nem a função de alguns dos seus compartimentos anexos. Em finais do século IV e início do século seguinte, o edifício sofreu uma grande remodelação e a sua superfície foi muito reduzida.
Junto às termas, quando se procedia a escavações, deu-se a descoberta acidental (1999) de estruturas que revelaram a existência de um teatro, cujo estado de conservação acabou por superar todas as expectativas. A área que entretanto foi possível escavar, com cerca de 80 metros de diâmetro, e o número elevado de elementos arquitectónicos e decorativos encontrados, permitiram identificar as diferentes partes orgânicas do teatro. E chamo à atenção que este é o segundo teatro romano a ser escavado no país mas o único teatro romano a céu aberto de Portugal e do Noroeste Peninsular.
Deixo-vos com algumas imagens das termas.









Fotografia © Nuno Ferreira
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domingo, 3 de outubro de 2010

Santiago de Compostela - Afro Modern

Patente ao público até ao dia 10 de Outubro no Centro Galego de Arte Contemporánea (CGAC) está a exposição "Afro Modern - Journeys Through the Black Atlantic". O CGAC, um espaço moderno e agradável da autoria do arquitecto português Siza Vieira, dirigido pelo igualmente português Miguel von Hafe Pérez, apresenta esta exposição dividida entre dois pisos, cheios de surpresas ao longo da visita. Iniciando o percurso pela sala que se apresenta à direita rapidamente damos de caras com uma obra de Picasso (Buste de femme, 1909) numa sala aparentemente formal e com obras de tons quentes, remetendo o visitante para uma África negra, sedutora e misteriosa. Passamos por obras de Edward Burra, Palmer Hayden, Aaron Douglas, Tarsila do Amaral e Pedro Figari, entre outras. Continuando o percurso é possível ouvir Caetano Veloso saindo do escuro de um recanto, acompanhando um momento de uma vídeo-projecção. Wifredo Lam e Arthur Bispo do Rosário também marcam presença. Saltando para o 1º piso, surge-nos uma outra África, moderna, contemporânea, provocadora. Ali perfilam-se obras de Frank Bowling, DAvid Hammons, Jean-Michel Basquiat, Christopher Cozier, Ellen Gallagher, Isaac Julien, Lorna Simpson, Chris Ofili, ...
Vale bem a pena a visita. Se passarem em Santiago de Compostela, em ano de Xacobeo, não deixem de dar lá um salto.


Pablo Picasso, "Buste de femme", 1909, óleo sobre tela.
Edward Burra, "Harlem", 1934, tinta e guache sobre papel.


Palmer Hayden, "Midsummer night in Harlem", 1936, óleo sobre tela.
Tarsila do Amaral, "Morro da favela", 1924, óleo sobre tela.


Aaron Douglas, "Aspects of Negro life: The Negro in an african setting", 1934, óleo sobre tela.
Pedro Figari, "Candombe", 1921, óleo sobre tela.


Frank Bowling, "Who is afraid of Barney Newman", 1968, óleo sobre tela.
David Hammons, "The Door (Admissions Office)", 1969, madeira, folha de acrílico e pigmentos.


Jean-Michel Basquiat, "Native carrying some guns, bibles, amorites on safari", 1982, acrílico e óleo sobre papel montado em tela e madeira descoberta.
Ellen Gallagher, "Bird in hand", 2006, óleo, tinta, papel, sal e folha de ouro sobre tela.


Christopher Cozier, "Tropical night, 2006 até à actualidade, tinta, grafite e selos sobre papel.
Ellen Gallagher, "DeLuxe", 2004-2005, técnica mista.


Lorna Simpson, "Photo Booth", 2008, 50 retratos de fotomatón e 50 desenhos a tinta sobre papel.
Lorna Simpson, "Photo Booth" (detalhe), 2008, 50 retratos de fotomatón e 50 desenhos a tinta sobre papel.


Wifredo Lam, "Ibaye", 1950, óleo sobre tela.
Chris Ofili, "Double captain shit and the legend of black stars", 1997, técnica mista sobre tela.


Isaac Julien, "Cast no shadow (western union series no. 1", 2007, imagem duratran em caixa de luz.
Arthur Bispo do Rosário, "Capa de Exu", s.d., pano, fio, acetato, lã e vidro.

Fotografia © Nuno Ferreira
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Évora - Rostos de Roma

Fechou hoje ao publico a exposição "Rostos de Roma", patente no Museu de Évora numa organização conjunta deste com o Museo Arqueológico Nacional de Madrid (MANM). Tive oportunidade de a ver há duas semanas atrás, numa passagem por aquela cidade, e como já havia mencionado no post anterior, gostei imenso do museu e esta exposição temporária não ficou aquém do esperado. Não se tratando de uma exposição extensa, as peças ali reunidas, cerca de 40, espelham bem a qualidade do trabalho escultórico romano e da colecção reunida pelo MANM. Como se podia ler à entrada da exposição, o retrato foi um elemento essencial da cultura romana. Tratava da imagem do poder e daqueles a quem este se associava revelando simultaneamente a dimensão humana da população. O retrato romano representava todos, do patrício ao liberto, perpetuando memórias e contribuindo para a construção da identidade romana. Deixo-vos com algumas imagens.


Busto-retrato de Adriano, mármore, 66cm, 130 d.c..
Estátua sentada de Tibério, mármore, 89cm, 14-19 d.c..


Estátua sentada de Lívia, mármore, 177cm, 14-19 d.c..
Estátua sentada de Lívia como Fortuna, mármore, 125cm, 15-20 d.c..


Retrato de Septímio Severo, mármore, 33x25cm, 200-206 d.c..
Retrato de Lúcio Vero, mármore, 36x26cm, 161-169 d.c..


Lápide funerária, mármore, 127x69cm, 117-138 d.c..
Sarcófago com um retrato infantil, mármore, 50x195cm, 2º terço séc. III.

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