quarta-feira, 20 de julho de 2011

Vila Real - Casa de Mateus

Um dos locais a visitar em Vila Real é, sem dúvida, a Casa de Mateus. O edifício é mandado construir na primeira metade do século XVIII por António José Botelho Mourão, 3º Morgado de Mateus, para substituição da casa de família já ali existente em inícios do século XVII. Em 1743, o então arcebispo D. José de Bragança foi informado de que António Mourão havia demolido um palácio para construir um outro melhor, razão pela qual se crê que à data a edificação do Solar estaria já em fase adiantada.
De arquitectura barroca e de gosto italiano, os seus planos são atribuídos a Nicolau Nasoni, tanto pela coerência do estilo e semelhança com outras obras de sua autoria bem como pela extensa actividade do arquitecto pelo norte do país. Tal como se pode ler nas palavras da arquitecta Teresa Nunes da Ponte, segundo Robert Smith, especialista na obra de Nasoni, o arquitecto terá dedicado à construção da Casa, ou pelo menos à sua fachada central e decoração, os anos entre 1739 a 1743. Todavia, ainda segundo Robert Smith, apenas lhe pode ser atribuída a concepção da escadaria e pátio de entrada com passagem directa de carruagens para o jardim posterior, num modelo semelhante ao dos palácios italianos que Nasoni com conheceria com toda a certeza. Do mesmo modo, a dupla escadaria, os vãos dos patamares e a cornija da fachada se aproximam de outras edificações da autoria de Nicolau Nasoni. Contudo, o excesso de decoração na fachada da Casa de Mateus, bem como a inserção de elementos estranhos a Nasoni levam a ponderar a hipótese das próprias composições do arquitecto terem sido executadas posteriormente, incorporando algumas divergências e afastamentos relativamente aos desenhos originais do arquitecto.
Associado ao esplendor barroco da fachada principal e da riqueza da decoração temos uma impressionante racionalidade ao nível da planta e um rigor quanto à métrica e à modulação. A planta está inserida num rectângulo, dividindo-se em dois quadrados vazados ao centro, criando várias alas e compondo dois pátios ligados entre si através de grandes aberturas no piso térreo. O pátio frontal é aberto à frente, abrindo a vista da fachada principal, que se encontra recuada e voltada a poente. O pátio posterior é encerrado criando uma estrutura semelhante a um "H" fechado no topo. Ambos os pátios definem, através dos grandes vãos do rés-do-chão, um eixo central de perspectiva que atravessa toda a construção. O acesso ao piso nobre faz-se por dupla escadaria, elemento que se repete nas fachadas transversais dos dois pátios, duas a poente e uma a nascente, acentuando a simetria e o movimento barroco de toda a ornamentação.
Completando o conjunto, temos a Capela e a Adega. A Capela já terá sido terminada no tempo de D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, 4º Morgado de Mateus. A capela apresenta bastantes semelhanças, em especial ao nível da composição da frontaria, com a igreja Nova de Vila Real onde trabalhou José de Figueiredo Seixas, natural de Viseu. José Seixas é considerado um dos artistas que “prolongou de certo modo a lição do artista toscano”, sendo o provável responsável pelo desenho do edifício..
Referências em documentos do arquivo da Casa e a análise atenta da planta e elementos da construção, apontam para a identificação de possíveis pré-existências da primitiva construção e diferentes campanhas de obras. Diferente constituição da alvenaria de pedra em paredes e distintas espessuras podem significar obras sucessivas, sendo nesta hipótese mais recentes as alas frontais do edifício, tese colocada por Vasco Graça Moura nos seus estudos sobre a Casa.
A partir de 1979 todo o conjunto é adaptado às actividades culturais da Fundação Casa de Mateus, tendo sido restaurados e reabilitados a Casa e os anexos agrícolas. É então criado um circuito expositivo alargado e vários novos núcleos de exposição que integram o espólio da família e complementam o Museu, que é remodelado. O Barrão da Eira é recuperado para apoio à realização das actividades da Fundação sendo construídos, em anexo, camarins de apoio. A Adega sofre obras de recuperação e é equipada de acordo com as novas exigências técnicas. O antigo Lagar de Azeite é reabilitado e ampliado para a instalação da Residência de Artistas.
A escultura de João Cutileiro, que desde 1981 dorme no Lago, integrou já a imagem da Casa.
Em 1911 é classificada como Monumento Nacional.






















Fotografia © Nuno Ferreira
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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Vila Real - Sé Catedral

A paragem seguinte da nossa visita a Vila Real foi a Sé Catedral daquela cidade, situada em pleno centro histórico, num dos lados da Avenida Carvalho de Araújo. A Sé Catedral não é mais nem menos do que a igreja do antigo Convento de São Domingos que viu-se elevada àquele estatuto aquando da criação da diocese de Vila Real, em 1922, por indicação de SS. o Papa Pio XI.
Voltando às origens, a primeira pedra da igreja terá sido lançada a 8 de Maio de 1424 na presença do Frei Vasco de Guimarães. A igreja construída em granito de origem local, é de estilo gótico, ainda que conserve um notório cunho românico, constituindo segundo o IPPAR o melhor exemplo de arquitectura transmontana daquele estilo. Na frente da igreja erguem-se dois contrafortes que definem as três naves. De entre os dois contrafortes avança o corpo onde se abre o portal gótico, composto com colunelos e arquivoltas lisas, encimado por duas edículas que abrigam, cada uma delas, uma pequena escultura quatrocentista provavelmente de um santo ou apóstolo. No alto da frontaria abre-se um óculo, possivelmente pensado para uma rosácea cujo espelho agora desapareceu e que actualmente se apresenta fechada por um vitral. A porta lateral norte é do mesmo tipo, embora mais modesta, enquanto que a sul é formada por um arco redondo com uma moldura de almofadadas em ponta de diamante. No exterior da igreja é ainda digno de nota as cachorradas sob as cornijas dos beirais, as molduras que marcam um segundo piso e duas pequenas rosáceas, a primeira na empena do arco triunfal e a segunda na empena do braço sul do transepto.
O interior segue o modelo das igrejas mendicantes da época quatrocentista. Aqui encontramos três naves, de cobertura de madeira, com igual número de tramos e transepto saliente. São delimitadas por arcadas longitudinais de arcos quebrados, de maior dimensão sobre os vãos do transepto, sustentados por pilares com colunas embebidas e arestas cortadas por chanfraduras côncavas. A iluminação realiza-se com um clerestório e frestas de pequena dimensão nas paredes das naves laterais.
A igreja sofreu algumas alterações no decorrer do século XVIII, em especial ao nível da cabeceira, passando então a sacristia e a capela-mor a ostentarem uma ornamentação exterior de estilo rocaille, igualmente patente na nova torre que foi adossada ao seu flanco sul. A capela-mor é de formato rectangular e é coberta por uma abóbada de berço rebocada, com três tramos definidos por arcos torais.
Espalhados pelas paredes interiores encontramos diversos arcossólios góticos, dos quais se destaca o que contém o túmulo de Diogo Afonso e de sua mulher Branca Dias, e que apresenta um arco quebrado de espelho trilobado e arca assente em leões de pedra.
Na igreja podemos ainda encontrar um conjunto de capitéis decorados com motivos antropomórficos e fitomórficos, onde se figuram personagens de perfil rodeadas por folhagem e que constituem uma representação das classes sociais e das actividades da época.
Em 1834 o edifício conventual é transformado em quartel militar, após a expulsão dos frades daquele espaço, o qual viria a ser devorado por um incêndio de mão criminosa a 21 de Novembro de 1837. O incêndio foi responsável pela destruição da maior parte da ornamentação interior do templo.
A igreja foi classificada como monumento nacional por decreto, datado de 19 de Fevereiro de 1926, tendo sido restaurada no início dos anos 40 do século XX nesse âmbito. Durante esta intervenção, parte do cadeiral de pau-preto da capela-mor foi removido, conservando-se no entanto alguns elementos, intervenção que procedeu igualmente à substituição do retábulo de talha por um outro de pendor mais clássico, adequado a uma pretensa austeridade que se quis recuperar.
Recentemente, já no século XXI, o pintor transmontano João Vieira, a convite do IPPAR realiza para o edifício uma série de vitrais que agora ali se apresentam, inspirados no evangelho segundo S. João.







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domingo, 3 de julho de 2011

Vila Real - Casa dos Brocas

Ao visitar Vila Real, o primeiro destino foi o da chamada "Casa de Camilo". Descemos a Avenida Carvalho de Araújo, desde a Pastelaria Gomes, até à Câmara Municipal de Vila Real, voltando à esquerda até à Rua Camilo Castelo Branco, antiga Rua da Piedade. Chegamos então à Casa dos Brocas, a casa dos Correia Botelho, isto é, da família de Camilo Castelo Branco. mandada erigir por Domingos Correia Botelho, avô paterno de Camilo, cerca de 1774, e que nela nasceu, a 17 de Agosto de 1778, Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, pai do escritor. Também ali faleceu o próprio Manuel Correia Botelho, a 16 de Janeiro de 1801 e o célebre bacharel flautista (como se-lhe referia Camilo) Domingos José Correia Botelho, o "Dr. Brocas", a 23 de Junho de 1809.

Sobre a casa, escreve Camilo em "Amor de Perdição" o seguinte: "Domingos Botelho conformou-se com a estremecida consorte, e começou a fábrica dum palacete. Escassamente lhe chegavam os recursos para os alicerces: escreveu à rainha, e obteve generoso subsídio com que ultimou a casa. As varandas das janelas foram a última dádiva que a real viúva fez à sua dama. Quer-nos parecer que a dádiva é um testemunho, até agora inédito, da demência da senhora D. Maria I. Domingos Botelho mandara esculpir em Lisboa a pedra de armas; D. Rita, porém, teimava que no escudo se esquarteassem também as suas; mas era tarde, porque já a obra tinha vindo do escultor, e o magistrado não podia com a segunda despesa, nem queria desgostar seu pai, orgulhoso de seu brasão. Resultou daqui ficar a casa sem armas e D. Rita vitoriosa."

A casa, situada da freguesia de S. Dinis, mede na frontaria cerca de vinte e cinco metros e meio de comprimento e é composta por rés-do-chão e primeiro andar. A principal ornamentação exterior do imóvel é constituída por dez varandas acachorradas, com grades de ferro forjado. Nove grades datam do século XVIII e uma do século XIX.

Segundo José de Campos e Souza, se é verdadeira a tradição, as nove mais antigas foram as primeiras varandas do género empregadas na construção civil em Vila Real. Ainda segundo este autor o estado de conservação interior desta bela casa é francamente deplorável. Pouco, ou nada, resta da primitiva traça, a que não faltavam dignidade e discreta grandeza. D. Rita Emília da Veiga Castelo Branco, tia paterna de Camilo Castelo Branco, hipotecou o edifício, por 300 mil réis, ao Dr. António Gerardo Monteiro, em cuja posse a casa ainda se encontrava no ano de 1862. Mais tarde, os herdeiros do Dr. Monteiro venderam-na, por 6 contos de réis, à Congregação das Doroteias. Nela funcionaram a Roda e uma escola primária. Em 1914, foi adquirida pelo Estado. Pertenceu depois ao capitalista Francisco Lameirão, sendo, no ano de 1946, propriedade dos seus herdeiros. Actualmente [em 1967] é de quatro condomínios, que nela habitam: Adão Barros, Manuel Ribeiro dos Santos Lameirão, Filomena Gonçalves e Teresa Cramez Ferreira.

Na fachada da casa podemos encontrar uma placa comemorativa mandada colocar pela Comissão Regional de Turismo da Serra do Marão em 1966.

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sábado, 23 de abril de 2011

A Cidade dos Mortos

No fim-de-semana passado assisti ao filme "A Cidade dos Mortos", de Sérgio Tréfaut. Não sabia muito bem a que ia assistir, apenas sabia que se tratava de um documentário filmado num cemitério do Cairo. Mas que grande cemitério, condigno com a qualidade do documentário. O cemitério do Cairo é a maior necrópole do mundo. Um milhão de pessoas vivem dentro dele, seja em casas tumulares ou nos edifícios que cresceram em redor. Dentro deste cemitério há de tudo: padarias, cafés, escolas para as crianças, mercados, teatros de fantoches... estendendo-se por mais de dez quilómetros ao longo de uma auto-estrada. Contudo não deixa de nos fazer sentir como numa aldeia, com mães à caça de um bom partido para as filhas, rapazes a correr atrás das raparigas, disputas entre vizinhos, sonhos.
Decidi transcrever para aqui um pequeno texto do realizador acerca deste filme e das condicionantes que o rodeiam. Uma leitura interessante.

5 Obstáculos, 5 Estímulos
Notas sobre a rodagem – Sérgio Tréfaut

Fazer um filme é como travar uma guerra. «A cidade dos Mortos» foi o filme mais difícil que produzi e realizei até hoje. Os desafios e obstáculos diários foram tantos, sobre tantas frentes de batalha, que eu poderia passar dias a contar aventuras surreais… Mas, em jeito de introdução, de uma forma esquemática, aqui ficam as principais frentes de uma longa guerra…

1º OBSTÁCULO: A DISTÂNCIA
Depois de ter concluído alguns documentários sobre universos que me eram próximos (Outro País, Fleurette, Lisboetas), decidi que era o momento certo para tentar o que muitos outros tinham feito ao longo da vida: descobrir e filmar realidades distantes. Mas não parti procurando me enganar a mim próprio. Fui aos cemitérios do Cairo para falar daquilo que me interessa: da relação dos homens com a vida e com a morte, de pessoas de quem gosto e que admiro (e que podem viver em qualquer latitude), da alegria e do entusiasmo que podem ter pela vida, em condições adversas.

2º OBSTÁCULO: A LÍNGUA E OS REFERENTES
Em 2004, quando arranquei este projecto, não falava uma palavra de árabe e nunca tinha vivido em países de cultura muçulmana. Acredito que o modo de pensar de um grupo, seja ele qual for, é indissociável da gramática, da estrutura da língua, da musicalidade, do léxico e hábitos de comunicação. Fui oito vezes ao Cairo, vivi vários meses seguidos na cidade, tive aulas de árabe, dei aulas de documentário, transitei entre várias classes sociais, rodeei-me de egípcios. O lugar onde passei mais tempo foi, naturalmente, no cemitério. Hoje creio ter esquecido o pouco que tinha aprendido da língua, que à época me permitia seguir partes de uma conversa e dar indicações para a rodagem. Em contrapartida, ainda sinto orgulho por conhecer a vida quotidiana nos cemitérios melhor do que a maioria dos egípcios - que só vão lá para funerais e celebrações. Além da língua, o obstáculo cultural é enorme. Uma pessoa não tem como chegar a um sítio destes e «querer filmar». É todo um longuíssimo e complicado processo.

3º OBSTÁCULO: AUTORIZAÇÕES E CUMPLICIDADES
A primeira pergunta que nos fazem quando falamos em filmar no Cairo é «Do you have a permit?». No Egipto, o sistema burocrático e as autorizações para qualquer coisa são um inferno. Ingenuamente, pensei que as minhas «boas intenções», ou o meu respeito pelas pessoas, longe do sensacionalismo, poderiam facilitar. Afinal eu não trabalhava para uma televisão que vende miséria social. Puro engano. No início, passei semanas ridículas, arrastando-me de repartição em repartição para receber sempre informações contraditórias e inconclusivas. O Embaixador de Portugal, muito simpático e diligente, chegou a escrever cartas a pelo menos três ministros egípcios para apresentar o meu projecto e solicitar autorizações. O Embaixador nunca recebeu qualquer resposta. Esse silêncio, muito egípcio, foi bastante melhor do que uma recusa. Mais tarde, também tive aconselhamento diplomático francês e espanhol. Cheguei a fazer uma pré-selecção de potenciais coprodutores locais, todos eles entusiasmados com a hipótese de entrarem neste projecto e serem o parceiro que legalizaria tudo no Egipto. Nada deu certo. Finalmente abri os olhos e percebi que nunca poderia obter uma autorização para este filme. As autoridades queriam documentários sobre pirâmides e faraós, não sobre cemitérios habitados a respeito dos quais pesam os maiores preconceitos. Além disso, qualquer produtor local que se viesse a envolver corria o risco, durante o reino de Mubarack, de ver a sua produtora fechada. Após várias tentativas frustradas, voltei ao Cairo, pela quarta vez, acompanhado de um amigo câmara italiano, tão louco quanto eu, e decidi que tinha de conseguir filmar. Em poucos dias fomos adoptados por uma família de coveiros e penetrámos finalmente no universo do cemitério. Nessa viagem filmámos, por exemplo, a travessia da caravana de fantoches no Cemitério Sul. Eu já via aquela caravana de fantoches desde a minha primeira viagem e, pelo menos isso, eu não podia perder! Claro que na primeira noite em que filmávamos uma festa (um mulid), fomos interpelados e proibidos de filmar pela polícia. Mas no dia seguinte recomeçámos. Esse era o ritmo da nossa filmagem. Uma permanente guerra. E passo por cima de milhares de episódios para poder transmitir apenas a ideia de conjunto. Quando uma pessoa vai à guerra tem necessariamente de encontrar aliados. Nesse campo, o meu assistente de realização, Mohamed Siam, foi exemplar no incansável trabalho de estabelecer uma rede de contactos, visitando diariamente pessoas que viviam a 10 quilómetros umas das outras. Dentro desta rede, havia pessoas que, elas próprias, eram a porta para toda uma comunidade: coveiros, guardiões de cemitérios, sheiks, donos de cafés, guardas do mercado, etc. Mesmo assim, todos os dias sentíamos que a guerra recomeçava. A conquista das personagens era permanente. Às vezes, aqueles em casa de quem almoçávamos num dia, no dia seguinte já tinham receio de ser filmados. As reportagens feitas por televisões sensacionalistas criaram enormes dificuldades ao acesso a lugares como este.

4º OBSTÁCULO: CONCEITO E DRAMATURGIA
A realidade visual do lugar, aos olhos de um ocidental, não lembra em nada um cemitério. Ao chegar ao Cairo, a fotógrafa Inês Gonçalves disse-me imediatamente: ninguém vai perceber que isto é um cemitério! E não nos passava pela cabeça estar a filmar enterros às escondidas. Tinha demasiado respeito pelas famílias para ligar uma câmara no meio de um funeral. Todas aquelas casas tumulares e mausoléus em ruas de terra batida, pareciam de facto uma aldeia deserta de filme mexicano ou de far-west. Para não falar dos mercados apinhados de gente e zona de lojas…. Das ruas cheias de barbeiros… Assim, percebi que com um filme estritamente observacional sobre o lugar (essa era a minha primeira intenção) nunca chegaria a bom porto e também não conseguiria transmitir aquela diversidade. Passei à segunda hipótese: um filme que seguiria os preparativos de um casal de noivos para o casamento, que decorreria dentro do cemitério e alteraria a vida de dois jovens. Mas, após ano e meio de espera de uma boda interminavelmente adiada, os jovens não chegaram a casar em tempo. Pelo meio do caminho, fui filmando alguns casamentos, para tentar preparar-me e perceber como era… Passei à terceira hipótese: um filme em que alguns habitantes do cemitério, por quem eu tinha maior fascínio, falavam-me do lugar. Por último, hipótese final, percebi que a tudo isto faltava a voz mágica de um coveiro, que falasse com a propriedade de quem sempre viveu ali e que amava aquele lugar mais do que todos os outros.

5º OBSTÁCULO: AS QUESTÕES TÉCNICAS
As câmaras com que filmei estavam quase sempre estragadas, desfocavam a imagem, ou mais tarde eram usadas por uma directora de fotografia habituada a rodar em película, que considerava a câmara de vídeo quase como um brinquedo e, para meu desespero, não colocava o olho no visor… Assim, uma parte muito importante dos rushes deste filme têm problemas de definição. Esse problema veio ainda a agravar-se quando se perderam inesperadamente uma parte dos originais do filme, e apenas ficou o material digitalizado em final cut. Parecia um filme amaldiçoado. Por vezes pensei em desistir, como tantos realizadores que tentaram filmar esses cemitérios. Mas já tinha ido longe demais. E os contratos de produção, o tempo e a energia investidos, obrigavam-me a finalizar um trabalho. Se hoje levo o filme às salas de cinema é sobretudo pelo interesse antropológico, humano e filosófico. Foi esse mesmo interesse, acredito, que permitiu ao filme ser exibido em vários festivais internacionais e televisões.


O documentário é precedido da curta portuguesa “Waiting for Paradise” também no mesmo cenário e realizada por Tréfaut.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A Febre

Uma excelente oportunidade para ver um grande espectáculo. A entrada é livre, sujeita aos lugares disponíveis.
Segundo a divulgação da Casa da Música, João Reis interpreta A Febre, monólogo incómodo de Wallace Shawn, actor que reconhecemos de filmes de comédia norte-americanos, mas que é também autor de peças politicamente controversas. Neste texto de 1990, o dramaturgo explora sem piedade a ambiguidade moral da América liberal na relação com os países do "terceiro mundo". Num cenário de guerra, um homem adoece num miserável quarto de hotel. Olhar pela janela implica testemunhar execuções e outras atrocidades. Mergulho em profundidade na consciência da culpa, este A Febre encenado por Marcos Barbosa tem em João Reis um intérprete inteiro, que nos devolve um teatro para ver o mundo no dia em que o mundo olha para o teatro.

A Febre é um texto político, com certeza, mas não como esses outros, aqueles outros, esses tais que sabiam a verdade toda, e a verdade logo com V grande, ó caneco, e não admitiam qualquer "senão", nenhum "porém", nem sequer um tremelicante "quê?". Não, este A Febre não é nenhuma cassete desbobinada a partir do púlpito ou do palanque, aqui não há nada dessa pose de "dono da verdade" de tanto texto dito "político". Aqui "político" não precisa de aspas, aqui "político" não é a tradução nacional-porreirista de "fraquito", ou "ali entre o medíocre e o mediano", ou chato-como-a-potassa-mas-aguentem-lá-em-nome-da-crença-ideológica-ou-clubística-cá-da-malta. Nesta magnífica peça - monólogo? conto? ensaio? discurso? - de Wallace Shawn, o político vem do próprio texto, não aparece imposto de fora, caído de pára-quedas, descido dos céus para nos vender uma qualquer metáfora-lição em palavras de pedra. Aqui o político surge das entrelinhas da vida; de uma vida na primeira pessoa que nos é mostrada mais do que explicada. Aqui o político implica-nos de imediato porque parte de um viver concreto, de uma história bem-feita, isto é, feita verdade.
- Jacinto Lucas Pires -
Excerto de "Punho fechado". In Solos: [Programa]. Porto: Teatro Nacional São João, 2010.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Ciclo de Cinema Africano Francófono

A propósito da celebração da Francofonia, a Reitoria da Universidade do Porto, o Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (CEAUP) e o novo Institut Français de Portugal, decidiram associar-se e conceber o Ciclo de Cinema Africano Francófono e assim mostrar ao público portuense um cinema jovem, repleto de riquezas e de futuro.

Extraído do fundo da "Cinemateca África" do Institut Français são apresentados ao público exemplos do património cinematográfico africano pouco conhecido e muitas vezes ignorado. A selecção dos filmes foi feita a partir de obras de cineastas reconhecidos ou premiados pela critica internacional. Este Ciclo que desejamos ser o primeiro de muitos, é também uma homenagem à diversidade cultural e um momento para despertar a curiosidade pelos seus criadores.

O público poderá desta forma descobrir documentários e ficções da Tunísia, do Senegal, da Argélia, de Marrocos, da Mauritânia e do Mali. Em língua original dos seus países na sua maioria, os filmes serão legendados em francês ou em português. As sessões serão acompanhadas de encontros com investigadores do CEAUP que apresentarão os filmes e os países de origem. Será também um momento para conversar com o realizador congolês Rufin Mbou Mikima que apresentará uma visão do Cinema Africano Francófono.

Com a apresentação deste Ciclo consolida-se mais uma parceria institucional que certamente muito contribuirá para a afirmação da importância do intercâmbio cultural e para o cruzamento de novos públicos no Edifício Histórico da Reitoria da Universidade do Porto.

Local: Auditório Gomes Teixeira (Reitoria da U.Porto)

domingo, 30 de janeiro de 2011

Primeiras Luzes



Deus disse: Haja luz. E houve luz. E Deus viu que a Luz era boa. E fez a separação entre luz e trevas.

Desde os primórdios do tempo que o Homem procura na luz a segurança, um consolo que preencha o vazio, uma resposta a uma pergunta por vezes não pronunciada. A primeira centelha de luz terá sido produzida no início de tudo, no meio do caos, num Universo que começava a compor-se e a organizar-se, como se a luz estivesse ali para dar-lhe um sentido, um caminho a percorrer. E com a luz, as cores, numa explosão de luz branca que aos poucos se estilhaça num infinito de matizes, num infinito condizente com o espaço e o tempo. Tempo que, num plano perfeito, dirige-se a nós, dando sentido a tudo o que existiu anteriormente. Nós. Eu. Você. Aquilo que valida tudo o que nos antecede. Tudo se organizou para chegar até aqui. A um determinado momento.

Ainda como formas de vida intra-uterinas começamos a percepcionar luz e cor. Predomina os vermelhos, quentes, apropriados ao útero, também ele quente, protector. Ao nascer, tal como no início de tudo, uma explosão de luz, fria, avassaladora, dá lugar, pouco a pouco, a uma imensidão de cores, sombras, imagens indefinidas, num êxtase sensorial que há-de começar a fazer sentido.

A fotografia nem sempre respeita uma ordem para que faça sentido. Mas se há algo incontornável na fotografia é a luz. Sem ela a fotografia não existe. Seria possível olharmos para uma fotografia que não tivesse no mínimo um ponto, ainda que ínfimo, de luz? Não seria isso a negação da própria fotografia?

O que se procura aqui não é a captura de imagens definidas ou perfeitas mas antes o ganhar consciência sobre a matéria comum à prática fotográfica. Como uma criança que começa a descobrir o que a rodeia. Aqui a ausência de formas e referências permite-nos centrar naquilo que era pretendido. Permite-nos olhar para uma cor e para a forma como esta se relaciona com uma outra, e outra ainda, como se mistura e se transforma. Vivemos tão rodeados de cor que já não a sentimos como tal. Um carro vermelho, um prédio amarelo, um casaco azul… são apenas adjectivos que se ligam a coisas. Mas um carro não deixa de ser um carro independentemente de ser vermelho ou amarelo ou azul. Mas o vermelho é vermelho, o amarelo é amarelo e o azul é azul independentemente se o são de facto. Aquilo que é vermelho para mim poderá não o ser para outro. E é também por isso é que a fotografia nunca deixa de ser algo pessoal, e a forma como escrevemos essa fotografia tão única como um texto manuscrito, com corações a fazer de pontinhos nos “is” ou qualquer outra marca que torna a nossa caligrafia diferente das outras.

“Primeiras Luzes” é o produto de um trabalho de pesquisa e experimentação, onde a luz e a cor são matéria-prima.

Nuno Ferreira, 2010.


Nota Biográfica
Nuno Ferreira nasceu no Porto em 1975. Na área da fotografia tem desenvolvido e colaborado em diversos projectos dos quais se destaca a participação em exposições colectivas (NFN, 2002-2005), publicações e colaboração em edições (Linguagem da Luz, 2001; Revista Águas Furtadas; Revista Espaço Con(tacto)), coordenação de exposições (KID5, 2001; Portugal Contemporâneo, 2002), edição fotográfica (Jornal Universitário do Porto, 2003-2004), reportagens fotográficas (Festival de Trebilhadouro, 2005, 2007 e 2009), entre outros. Tem vindo ainda a ministrar formação em fotografia na instituição Espaço T.


Na Internet:
Fundação da Juventude (27/01/2011)
Guia da Baixa do Porto (30/01/2011)
pportodosmuseus (31/01/2011)
Cultura Online (01/02/2011)
Artist Level (01/02/2011)
Escape by Expresso (02/02/2011)
Viajar Clix (04/02/2011)
Sapo Cultura (08/02/2011)
Camera Clube (12/02/2011)
Portugal Travel and Hotels Guide (12/02/2011)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Museu Colecção Berardo: A Culpa Não É Minha - Obras da Colecção António Cachola

Termina amanhã no Museu Colecção Berardo a exposição "A Culpa Não É Minha - Obras da Colecção António Cachola". A Colecção António Cachola em depósito no Museu de Arte Contemporânea de Elvas, desde 2007, é apresentada pela primeira vez em Lisboa. Confrontando o entendimento das diferentes linguagens e tempos através de uma selecção de uma centena de obras, o comissário, Eric Corne, procura dar a conhecer a sua perspectiva do panorama artístico contemporâneo português por via desta emblemática colecção iniciada em 1990 e que conta já com cerca de 400 obras. Tive a oportunidade de visitar esta exposição há cerca de uma semana, pelo que vos deixo com algumas imagens captadas no local.


João Tabarra - O Encantador de Serpentes (2007)
Projecção vídeo, cor, s/ som, 16:9
José Maçãs de Carvalho - Striptease as Textuality (2001)
Projecção vídeo, cor, som, 4:3


João Pedro Vale - A Culpa Não é Minha (2003)
Ferro e Corda
João Louro - Dead End #2 (2001)
Painéis Metálicos


Augusto Alves da Silva - 3.16 (2003)
Série de 11 Fotografias
Luís Campos - Sem Título (1994)- Série "Transurbana"
C-Print, Cibachrome, Tríptico


Ângela Ferreira - Marquise + 3 Fotografias (1993) (detalhe)
Alumínio, plexiglax, PVC, 3 fotografias c-print, cibachrome
Rui Chafes - Febre I (1997)
Ferro


Vasco Araújo - Diva, a Portrait (2000)
Instalação: Tocador, roupas com suporte, objectos vários, flores frescas, 16 fotografias a preto e branco
Pedro Cabrita Reis - Ala Norte (2000)
Alumínio e Acrílico sobre Madeira, Lâmpadas Fluorescentes


Nuno Cera - Sem Título #1 (2000) - Série DK
Lambda sobre Diasec
André Gomes - II Cenas da Vida Libertina (1994) - Série "A Carreira do Libertino"
8 Fotografias de um total de 24, Polaroid-Fujichrome


João Maria Gusmão & Pedro Paiva - A Mola Paleolítica (2006)
C-Print
Gil Heitor Cortesão - Atrás do Vulcão #6 (2009)
Óleo sobre plexiglas


João Queiróz - Sem Título (1998)
Óleo sobre linho
Tiago Batista - Sem Título
Acrílico sobre papel

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Fonte Stravinsky

Quem visita Paris e o Centro Pompidou não pode deixar de ver a Fonte Stravinsky, situada na lateral esquerda do Centro, entre este e a Igreja de Saint-Merri. A fonte, com 580 metros quadrados, integra 16 esculturas da autoria de Jean Tinguely (elementos metálicos pretos) e de Niki de Saint Phalle (elementos coloridos) inspiradas na obra de Stravinsky, a Sagração da Primavera. Toda a fonte é construída com materiais leves sendo a base de aço inoxidável e as esculturas feitas a partir de plásticos e outros materiais leves. A fonte situa-se por cima das instalações do Instituto de Pesquisa e Coordenação de Acústica/Musica, uma organização dedicada à promoção de música e musicologia. Foi o seu fundador, Pierre Boulez, que sugeriu a obra de Stravinsky como tema para a fonte.
A Fonte Stravinsky faz parte de um projecto lançado pela Câmara de Paris em 1978 para construir um conjunto de sete fontes contemporâneas. Esta obra em particular é anunciada em 1981, pelo presidente da Câmara, Jacques Chirac com um orçamento que rondou os 5 milhões de francos. Com a direcção artística de Jean Tinguely, a obra deveria contar apenas com as suas esculturas negras, mas em Maio de 1982, Tinguely pede para incluir os trabalhos coloridos de Niki de Saint Phalle, mulher de Tinguely, o que provoca alguma preocupação com o facto destas últimas obras poderem ofuscar as peças negras de Jean Tinguely, sendo então acordada a inclusão de apenas quatro ou cinco obras de Niki de Saint Phalle.
A obra é inaugurada a 16 de Março de 1983.


Fonte Stravinsky, Paris - França


Fonte Stravinsky, Paris - França


Fonte Stravinsky, Paris - França

Fotografia © Nuno Ferreira
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Photography © Nuno Ferreira
Permission granted to reproduce for personal and educational use only. Commercial copying, hiring, lending is prohibited.

sábado, 6 de novembro de 2010

Primeiras Luzes




Inauguração: 02/12/2010 - 18:00
Exposição: 03/12/2010 a 31/12/2010 - 10:00/13:00 e 14:00/18:00
Galeria Itinerante
Espaço T
Rua Infante D. Henrique, 246/248
Trofa, Portugal



Inauguração: 03/02/2011 - 21:00
Exposição: 04/02/2011 a 23/02/2011 (2ª a 6ª) - 10:00/19:00
Palácio das Artes - Fábrica de Talentos
Fundação da Juventude
Largo de S. Domingos, 16/22
Porto, Portugal



Deus disse: Haja luz. E houve luz. E Deus viu que a Luz era boa. E fez a separação entre luz e trevas.

Desde os primórdios do tempo que o Homem procura na luz a segurança, um consolo que preencha o vazio, uma resposta a uma pergunta por vezes não pronunciada. A primeira centelha de luz terá sido produzida no início de tudo, no meio do caos, num Universo que começava a compor-se e a organizar-se, como se a luz estivesse ali para dar-lhe um sentido, um caminho a percorrer. E com a luz, as cores, numa explosão de luz branca que aos poucos se estilhaça num infinito de matizes, num infinito condizente com o espaço e o tempo. Tempo que, num plano perfeito, dirige-se a nós, dando sentido a tudo o que existiu anteriormente. Nós. Eu. Você. Aquilo que valida tudo o que nos antecede. Tudo se organizou para chegar até aqui. A um determinado momento.

Ainda como formas de vida intra-uterinas começamos a percepcionar luz e cor. Predomina os vermelhos, quentes, apropriados ao útero, também ele quente, protector. Ao nascer, tal como no início de tudo, uma explosão de luz, fria, avassaladora, dá lugar, pouco a pouco, a uma imensidão de cores, sombras, imagens indefinidas, num êxtase sensorial que há-de começar a fazer sentido.

A fotografia nem sempre respeita uma ordem para que faça sentido. Mas se há algo incontornável na fotografia é a luz. Sem ela a fotografia não existe. Seria possível olharmos para uma fotografia que não tivesse no mínimo um ponto, ainda que ínfimo, de luz? Não seria isso a negação da própria fotografia?

O que se procura aqui não é a captura de imagens definidas ou perfeitas mas antes o ganhar consciência sobre a matéria comum à prática fotográfica. Como uma criança que começa a descobrir o que a rodeia. Aqui a ausência de formas e referências permite-nos centrar naquilo que era pretendido. Permite-nos olhar para uma cor e para a forma como esta se relaciona com uma outra, e outra ainda, como se mistura e se transforma. Vivemos tão rodeados de cor que já não a sentimos como tal. Um carro vermelho, um prédio amarelo, um casaco azul… são apenas adjectivos que se ligam a coisas. Mas um carro não deixa de ser um carro independentemente de ser vermelho ou amarelo ou azul. Mas o vermelho é vermelho, o amarelo é amarelo e o azul é azul independentemente se o são de facto. Aquilo que é vermelho para mim poderá não o ser para outro. E é também por isso é que a fotografia nunca deixa de ser algo pessoal, e a forma como escrevemos essa fotografia tão única como um texto manuscrito, com corações a fazer de pontinhos nos “is” ou qualquer outra marca que torna a nossa caligrafia diferente das outras.

“Primeiras Luzes” é o produto de um trabalho de pesquisa e experimentação, onde a luz e a cor são matéria-prima.

Nuno Ferreira, 2010.


Nota Biográfica
Nuno Ferreira nasceu no Porto em 1975. Na área da fotografia tem desenvolvido e colaborado em diversos projectos dos quais se destaca a participação em exposições colectivas (NFN, 2002-2005), publicações e colaboração em edições (Linguagem da Luz, 2001; Revista Águas Furtadas; Revista Espaço Con(tacto)), coordenação de exposições (KID5, 2001; Portugal Contemporâneo, 2002), edição fotográfica (Jornal Universitário do Porto, 2003-2004), reportagens fotográficas (Festival de Trebilhadouro, 2005, 2007 e 2009), entre outros. Tem vindo ainda a ministrar formação em fotografia na instituição Espaço T.