domingo, 11 de outubro de 2009

Xe Biennale de Lyon - La Sucrière

O terceiro local que visitei nesta 10ª Bienal de Lyon foi a Sucrière. Para quem está a seguir estes "posts", tenho que informar já que infelizmente acabei por não ter tempo de visitar o Museu de Arte Contemporânea, o que seria para mim o quarto ponto desta bienal. Pode ser que ainda volte a Lyon antes do final da bienal e se tal for o caso colocarei aqui no blog informação sobre esse último local.
Voltando à Sucirère digo-vos já que tive que andar um bom pedaço para lá chegar, especialmente porque tive de contornar toda uma zona em construção, futuros condomínios privados atrás de condomínios privados, edifícios de ar sofisticado e tudo o mais que está a nascer naquela zona.
Ao chegar ao edifício da Sucrière a primeira obra visível é a de Pedro Cabrita Reis, "Le Bureau (2009), à imagem do que propôs para o Entrepôt Bichat. Contornando o edifício pela direita em direcção à entrada encontramos a fachada pintada com a proposta "Cut the Mountain and Let it Fly" (2009) de Eko Nugroho. Ao fundo, sobre a entrada no edifício e na fachada seguinte, o português Rigo 23 utiliza os silos para a proposta "Gauche Droit" (2009). Ainda no exterior encontrei a obra "terre, ici la couleur est évidente" (2006) de Thierry Fontaine. Ao entrar deparamos-nos com o céu de azul do trabalho de Tsang Kinwah "Let Us Build and Launch A Blue Rocket To His Heaven" (2009).
Depois de passar pela bilheteira entro no primeiro piso de três, nos quais passei aproximadamente as duas horas seguintes. Logo à entrada o barulho estrondoso de um portão metálico a bater contra uma parede, proposta de Shilpa Gupta. Passo por uma zona de vídeo projecções onde destaco o trabalho de Oliver Herring. Reparo ainda no trabalho de Mark Lewis "Cold Morning" (2009). Passo pelo cérebro de luz "Head on" (2008) de Adel Abdessemed e pelo seu vídeo "terrorista" "Hot Blood" (2008) e sigo para junto do planetário portátil de Sarah Sze. Passado um pouco dou por mim num espaço preenchido por graffitis, carrinhas amontoadas, contentores suspensos e tudo o mais proposto por Barry McGee. Subindo ao piso seguinte entramos numa verdadeira loja chinesa após a qual somos surpreendidos pelos restantes trabalhos de Michael Lin. Sigo para um novo painel de Dan Perjovschi (um outro estava patente no piso de baixo) passando pela obra de Latifa Echakhch e chego a um espaço amplo onde se encontram as obras de Pedro Reyes "Palas Por Pistolas" (2008), e as colagens dos UN NOUS e de Liu Qingyuan. No piso seguinte destaco entre outras propostas de algum interesse a de Yang Jiechang "Underground Flowers" (1989-2009). Também patentes ao publico estão as instalações de Eulalia Valldosera, os recortes de Carlos Motta e os jardins do Yangjiang Group. Antes de descer ainda encontro a proposta de Xijing Men. Já de volta ao piso térreo e antes de sair passo pelo painel colorido de Liu Qingyuan & YAH Lab e restantes propostas "Only City", por uma pequena sala com trabalhos de Takahiro Iwasaki e finalmente por um outro trabalho de Eko Nugroho. Fiquem com as fotos. Uma imagem vale por mil palavras, não é?


"Le Bureau (2009) - Pedro Cabrita Reis
"Gauche Droit" (2009) - Rigo 23


"Cut the Mountain and Let it Fly" (2009) - Eko Nugroho


"terre, ici la couleur est évidente" (2006) - Thierry Fontaine
"Films" (2002-2009) - Oliver Herring


"Let Us Build and Launch A Blue Rocket To His Heaven" (2009) - Tsang Kinwah
"Head on" (2008) - Adel Abdessemed


"Untitled" (2009) - Sarah Sze


Instalação (2009) - Barry McGee


"What a Difference a Day Made" (2008) - Michael Lin


"The everyday drawings 1" (2009) - Dan Perjovschi
"Palas Por Pistolas" (2008) - Pedro Reyes


Colagem (2009) - UN NOUS
Colagem (2009) - Liu Qingyuan


"Underground Flowers" (1989-2009) - Yang Jiechang
Hot Blood (2008) - Adel Abdessemed


Esculturas (2001-2008) - Takahiro Iwasaki


"L'Arc-en-ciel sous la pierre" (2009) - Eko Nugroho
"Untitled" (2009) - Shilpa Gupta

Fotografia © Nuno Ferreira
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sábado, 10 de outubro de 2009

Xe Biennale de Lyon - L'Entrepôt Bichat

O segundo espaço de exposição visitado foi o Entrepôt Bichat. Aqui mais dois trabalhos são apresentados ao publico e merecem-me toda a atenção pois tratam-se de propostas feitas para a bienal por dois portugueses, Pedro Cabrita Reis e Rigo 23. Todo o interior está ocupado pela proposta de Pedro Cabrita Reis, "Les Dormeurs" (2009). Uma imensidão de lâmpadas tubulares néon preenche o espaço, suspensas ou colocadas de forma a reforçar formas, linhas e ângulos, conseguindo criar um efeito muito interessante. No exterior, saindo e contornando o edifício encontramos a proposta de Rigo 23, artista nascido na Madeira e que vive e trabalha em San Francisco. O trabalho intitulado "Ombre" (2009), uma pintura mural, é apresentado nas duas portas metálicas que dariam acesso ao armazém pelas traseiras. Pena esta obra estar um pouco perdida, atrás de uns quantos carros estacionados mesmo em frente ao portão. Fiquem com as fotos.

"Les Dormeurs" (2009)
Pedro Cabrita Reis





"Ombre" (2009)
Rigo 23



Fotografia © Nuno Ferreira
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Xe Biennale de Lyon - La Fondation Bullukian

Ao chegar a Lyon, o receio inicial em deparar-me com uma experiência idêntica à de Saint-Étienne é imediatamente posta de lado ao dar os primeiros passos em direcção à Place Carnot. Daí até à Place Bellecour é só seguir em frente, desfilando pela Rue Victor Hugo que já respira aquele ar francês, ao qual a baixa pombalina foi beber inspiração. Ao chegar à Bellecour abre-se o campo de visão e somos surpreendidos pela dimensão do espaço, pelo movimento e pela paisagem que se abre do lado esquerdo. Segui para aqui pois um dos locais de exposição da bienal, a Fondation Bullukian, situa-se nesta praça. Aqui estão patentes ao publico dois trabalhos e tem entrada livre. O primeiro, uma proposta de Laura Genz e CSP75, ocupa toda a entrada da fundação e intitula-se "Les journées de la Bourse occupée" (2008-2009). É-nos apresentada uma quantidade fabulosa de desenhos que acompanha todo o movimento dos sans papiers (sem papéis) e que culminaria na ocupação da Bourse du Travail. A acompanhar a exposição, uma instalação sonora que nos remete para a rua naqueles dias. Ainda encontramos duas vídeo instalações com trabalhos documentais da situação e um carrinho de supermercado adaptado a "caixa de correio" para os manifestantes. Saindo para um espaço exterior chegamos ao segundo trabalho, uma estrutura enorme, intitulada "Off the Wall" (2009), proposta de Sophie Dejode e Bertrand Lacombe. Esta é uma escultura a habitar e que acolherá seis performances ao longo da bienal. Fiquem com as fotos.

"Les journées de la Bourse occupée" (2008-2009)
Laura Genz / CSP75







"Off the Wall" (2009)
Sophie Dejode e Bertrand Lacombe





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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Saint-Étienne - Musée de la Mine

Curiosamente estive quase a não visitar este museu. Entre deslocações, de um lado para o outro, e algum cansaço estive quase a passar esta visita. Contudo estava eu sentado na sala de conferências do Museu de Arte Moderna a ver o filme "Crossover" de Pierre Coulibeuf e constato que afinal ainda conseguiria ver o filme todo, dar um salto à loja do museu, sair e chegar a tempo da última visita guiada no Museu da Mina de Saint-Étienne. Assim fiz. Ao chegar sou informado que não há visita guiada (enfim) mas que poderia fazer a visita audio-visual. É-me indicado um local para aguardar pelo funcionário e no espaço de alguns minutos sou guiado até um elevador (já de capacete na cabeça) e sinto-me descer durante largos momentos até à mina. À nossa espera, dois funcionários que me indicam o caminho até a um pequeno comboio de mina e me informam que devo acompanhar o vídeo explicativo que iria surgir em pequenos monitores ao longo do percurso. Com alguma curiosidade e gozo pelo ar "low-tech" da coisa, parti sózinho no comboio acompanhado apenas pelo funcionário que fazia avançar o comboio. Um pouco mais à frente explica-me que deveria avançar só, acompanhando os monitores, aqui um, outro um pouco mais à frente, depois um auditório, mais alguns monitores, e que poderia avançar mais rápido se o desejasse, ou então acompanhar o ritmo da apresentação que demoraria cerca de 40 minutos, num esquema circular. Aceitei as indicações e fui acompanhando o percurso com alguma preocupação misturada com o prazer de estar ali no fundo, sozinho, de capacete na cabeça e a ter que me baixar e desviar nalgumas zonas mais baixas e estreitas. Vou avançando, aproveitando para fotografar os espaços e imaginar todos os homens, alguns ainda rapazes, que trabalharam duramente naquele local. A experiência é muito boa. Desde a visita aos subterrâneos do Porto que não me metia numa aventura assim. Chegado ao fim da visita, o mesmo funcionário esperava-me para me transportar à superfície. Entro novamente no elevador, agora em sentido contrário, e passado um bocado emergimos à superfície. Pergunto a quantos metros de profundidade estivemos. Resposta cordial a informar-me que estivemos numa espécie de simulador apenas a uns 5/7 metros de profundidade. Embora todo o material lá colocado fosse real e tivesse sido de facto utilizado, a mina verdadeira estava a largas dezenas de metros abaixo do local que visitara antes. Fabuloso. Senti-me um patinho por ter caído naquela, mas não consegui deixar de apreciar o facto da coisa estar muito bem feita. Gostei do espaço e da simpatia dos funcionários. Talvez a melhor experiência em Saint-Étienne. Fiquem com as fotos.











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Saint-Étienne - Musée d'Art Moderne

Depois de sair do Museu de Arte e Industria sigo em direcção deste Museu de Arte Moderna. Esperava então sentir o contraste entre épocas. Ao chegar ao local, bastante afastado do centro de Saint-Étienne, deparo-me com um edifício curioso que tenta justificar a sua essência modernista. No interior, ao nível do piso térreo duas exposições temporárias estão patentes ao publico. A primeira, de significativa dimensão, intitula-se "L'attraction de l'espace", e é dedicada ao espaço além planeta Terra, sendo recheada de material cedido pela NASA, e completada por peças artísticas sobre o tema, registos fotográficos e de imprensa que acompanham aproximadamente 100 anos de olhares colocados nas estrelas e algumas peças de design futuristas. Pude depois verificar que esta exposição aparece referenciada pela 10ª Bienal de Lyon como exposição paralela a visitar. A segunda exposição temporária, com apenas quatro peças apresentadas, é dedicada aos trabalhos de Pierre Coulibeuf. e divide-se pelo hall de entrada e pela sala de conferências e acesso à mesma. Curioso o encontrar referências ao Museu Colecção Berardo segundo o que percebi devido à instalação "Dédale".
Para além destas duas exposições ainda é possível percorrer algumas salas com peças da colecção do museu, algumas das quais bastante interessantes.
No piso superior encontra-se a biblioteca do museu.
Devo dizer que não fiquei especialmente sensibilizado por este espaço, mas ainda assim apercebi-me de algum dinamismo, com várias visitas de estudo a decorrer, entre grupos de crianças do ensino básico e de adultos curiosos. Relativamente a esse aspecto pareceu-me existir algum interesse da comunidade em relação ao museu.
Neste caso não apresento imagens pois não foi permitido fotografar. Continuo a dizer que esta "norma" é um erro que não beneficia em nada estes espaços.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Saint-Étienne - Musée d'Art et d'Industrie

O primeiro museu visitado em Saint-Étienne foi o da Arte e Industria - Musée d'Art et d'Industrie. Sendo a cidade conhecida pela sua industria das armas, bicicletas e fitas (sim, fitas, daquelas bonitas para lindos laçarotes e remates) que poderia ter este museu? Armas, bicicletas e fitas, pois claro. E no entanto, para os mais distraídos, aviso já que a visita não é perda de tempo. O espaço é interessante e está bem aproveitado, tendo sido inicialmente uma fábrica de... armas. Os quatro pisos foram divididos irmãmente pelas várias temáticas (armas, bicicletas, fitas e um piso para exposições temporárias). No piso de entrada (piso 1), encontramos o espaço dedicado às fitas. Lá encontramos alguns exemplos da maquinaria necessária ao seu fabrico, história do processo, exemplares, acompanhada regularmente por monitores interactivos que ao toque iniciam uma apresentação com informação complementar. Subindo um andar (piso 2) encontramos o espaço para as exposições temporárias, que aquando da minha visita continha apenas algumas peças da colecção do museu. Subindo mais um piso (piso 3), estamos em pleno espaço expositivo dedicado às armas. Aqui podemos encontrar armas de todos os tipos, das espadas e lanças às pistolas e espingardas, passando pelos canhões, mosquetes e pelas armaduras. também podemos ver algumas peças de arte contemporânea ligadas à temática. Vale a pena perder algum tempo a observar os excelentes trabalhos de gravura e incrustações que grande parte das armas apresentam. Recomendo apanhar o elevador e descer até ao rés-do-chão (piso 0) onde está o espaço dedicado às bicicletas. Aqui ainda sorri algumas vezes, tanto pelo voluntário que vigiava o espaço, sentado na sua cadeirinha a ler um livro e a pigarrear constantemente, como pela colecção de bicicletas apresentada que contêm exemplares fabulosos que só com muito esforço consigo imaginar alguém a dominar e passear pelas ruas com aquilo. Deixo-vos algumas imagens, já que me foi, gentilmente, permitido fotografar (reparei posteriormente que na brochura diz que só é permitido fotografar com um pedido prévio por escrito).









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Saint-Étienne

Que posso eu dizer de Saint-Étienne? Ora bem, não é nada daquilo que estava à espera. Mas do que estaria eu à espera de uma cidade cuja história se fez na industria? A sensação com que fiquei foi de que em tempos Saint-Étienne foi uma cidade com algum vigor, com movimento. Agora parece ser apenas uma sombra do passado. Sombra como a que cobria os mineiros da mina de carvão. Com apenas um passo em falso e uma curva feita em direcção a uma rua secundária e ficamos em plena zona empobrecida, abandonada. A qualquer passo um restaurante turco ou similar com o típico "kebab", salvador a dado momento pois "kebab" é coisa que o meu estômago aguenta facilmente em comparação com algumas coisas que me são dadas a experimentar aquando em viagem. Aliás, o Islão é uma referência constante em Saint-Étienne, quer nos restaurantes, quer nas ruas e nos grupos de jovens rapazes de origens magrebinas ou nos das raparigas de lenço na cabeça. Contudo, o que podia ser interessante, pela multi-culturalidade, aparece como algo "exagerado", como se estivéssemos numa cidade que não uma do interior de França. Outra curiosidade é o de 80% do comércio estar fechado à segunda-feira. Como cheguei num domingo, não estranhei encontrar as lojas fechadas. É normal. Agora, segunda-feira estava reservada para conhecer um pouco a cidade e visitar algumas igrejas que encontrasse pelo caminho e os museus que conseguisse identificar, como é habitual nestas descobertas de cidade. Saio do hotel e começo a estranhar o pouco movimento pelas ruas e as lojas fechadas. Um olhar mais atento e verifico que na maior parte delas surge a indicação de abertas de "mardi" a "samedi". Ora bolas. Felizmente as igrejas ainda têm as portas abertas e os museus só fecham na terça. Por agora deixo algumas imagens das igrejas visitadas. Confesso que a que mais gostei foi logo a primeira, a Eglise Sainte-Marie. Construída sobre as ruínas de um convento datado de 1650, a igreja é aumentada em 1825. Em 1859 o arquitecto municipal, Etienne Boisson, realiza uma nova construção inspirada na Basílica de Fourvière, em Lyon. Destaco as três cúpulas e as pinturas interiores de inspiração romano-bizantinas. Ficam as imagens.


Eglise Sainte-Marie (fachada principal e fachada lateral)


Eglise Sainte-Marie (pormenor das três cúpulas e capela lateral)


Cathédrale Saint Charles (fachada e pormenor interior)


Cathédrale Saint Charles (tomada de vista nave lateral)
Cathédrale Saint Charles (tomada de vista geral do interior)


Grand'Eglise (pormenor fachada principal e lateral)

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