sábado, 18 de julho de 2009

Dialogues Boxes on Street Windows

De passagem por Faro, deambulando pelas ruas perto do centro histórico na esperança de ir lá ter, deparei-me com esta coisa fantástica que têm na imagem. Uma carrinha peluche, ou quem sabe um peluche carrinha. A obra chama-se "Ford Teddy" e é da autoria de Tiago Custódio. Nas imediações mais algumas obras podiam ser encontradas, como as que junto em baixo. Uma instalação de Joana Bárbara intitulada "Suspensão", outra de Tatiana Barreiros intitulada "Trap" e numa outra zona relativamente perto descobri que as "Brincadeiras de mão são beijos de burro" segundo Ana Vidigal. Só consegui ver estes quatro trabalhos mas segundo o que descobri no site da Câmara Municipal de Faro, o projecto inaugurado a 20 de Junho conta com muitos mais. O projecto em si pretende responder (ou pelo menos cogitar sobre) a duas questões. O que é a Arte Pública e qual é a necessidade da Arte intervir em espaços já saturados com informação visual. A ideia é pertinente e no entanto encontro alguma impertinência nela. Há uns dias atrás, na véspera da inauguração da exposição de Arte Pública "Homem T", uma jovem, dita artista, ao passar na baixa do Porto com uma amiga e ao deparar-se com um exercito de estátuas tapadas por panos brancos, resolveu destapar um, tentar levar consigo a estátua, e ao não o conseguir, intentar seguir rua fora com o pano na cabeça. Ao ser abordada por alguns elementos da organização, deu início a uma série de baboseiras que não relato aqui pois eu também sou novo (a deixar de o ser rapidamente, infelizmente) e compreendo o que é sair de um bar pelas sete da manhã e que o consciente perde por vezes para o inconsciente e que o racional passa rapidamente a irracional. Contudo dizia ela ser artista, repito. E que aquilo não era Arte Pública, porque Arte Pública é para ser tocada e fazer-se o que se quiser e que se ela quisesse levar o pano ou fazer outra coisa à estátua era para isso que a mesma ali estava. De outra forma não era Arte Pública e o que queríamos era um "happening" à hora marcada de inauguração. Pena confundir-se Arte Pública com "algo que está na rua para ser destruído e vandalizado". Pelo que percebi, se a Arte é Pública, então posso fazer o que quiser, incluído roubar, destruir, vandalizar. Não sei o que ensinam em Belas Artes, nem o que alguns jovens artistas andam a aprender. Já é triste ver muitas das obras vandalizadas por delinquentes e povinho alcoolizado. Agora pseudo-artistas a acharem que têm esse direito é demais. Gostava de um dia a apanhar numa performance pública para lhe pregar uns bons sopapos a ver se ela gostava. Provavelmente diria que eu era contra as artes e que a estava a impedir de exercer o seu direito de expressão. Felizmente parece que a sul do país existem menos vândalos. As quatro obras que vi encontravam-se em bom estado, exceptuando duas pequenas legendas junto à obra e coisas de pormenor que um mês na rua, ao sabor dos elementos naturais, não pode ser evitado. O nosso Homem T já conta com mais estragos e tem apoio permanente. Será que o facto de em Faro nesta altura do ano andarem mais estrangeiros nas ruas do que portugueses tem alguma influência? Talvez, talvez...
Seja como for, se passarem em Faro fiquem atentos. Podem encontrar algo de surpreendente ao virar da esquina.

3 comentários:

  1. Olá, eu sou o ''pai'' do Ford Teddy :)

    Obrigado por ter gostado do meu ''filho'' mais novo.

    Se quiser conhecer o resto dos meus ''filhos'' passe pelo meu Flickr.

    Os melhores cumprimentos: Tiago Custódio

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  2. Obrigado pela visita ao blog. Vou certamente dar uma vista de olhos pelos outros filhotes. Antes de mais, parabéns pelo Ford Teddy.
    Votos de sucesso.
    Nuno Ferreira

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